Segundo o jornalista, o que Barroso fez é a “confissão de prevaricação do STF frente ao descumprimento da lei, endossando um golpe de Estado”

247 - O jornalista Breno Altman apontou o fato mais grave da afirmação do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de que a ex-presidenta Dilma Rousseff não foi derrubada pelas tais “pedaladas fiscais”, a prevaricação da suprema corte. “A questão central da afirmação do ministro Barroso, ao afirmar que o impeachment de Dilma Rousseff foi por “falta de apoio político”, não está na constatação em si, mas na confissão de prevaricação do STF frente ao descumprimento da lei, endossando um golpe de Estado”, escreveu Altman no Twitter nesta terça-feira (4).
O trecho do artigo de Barroso que causou furor no cenário político e midiático foi este, publicado na revista do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a ser lançada no próximo dia 10: "A justificativa formal foram as denominadas pedaladas fiscais - violação de normas orçamentárias - embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política".
Não é outro o motivo que as lideranças políticas e sociais do país comprometidas com a democracia protestaram e denunciaram: “é golpe”.
O que o ministro Barroso fez agora é confirmar que a queda de Dilma Rousseff tratou-se mesmo de um golpe de Estado.
O jornalista, Ricardo Kotscho, resumiu com precisão a dimensão da confissão do ministro do STF: “Vivêssemos num regime parlamentarista, em que a perda de apoio político leva à queda do gabinete, perfeito. Só que aqui ainda estamos no regime presidencialista, e a perda de sustentação política não está prevista na Constituição para justificar um impeachment”.Outra jornalista, Mônica Bergamo, que trouxe à luz o texto do ministro do STF, lembrou em sua coluna nesta lembra ainda que Barroso já havia expressado esse raciocínio em julho de 2021, durante um simpósio em que afirmou: "Creio que não deve haver dúvida razoável de que ela [Dilma] não foi afastada por crimes de responsabilidade ou corrupção, mas, sim, foi afastada por perda de sustentação política. Até porque afastá-la por corrupção depois do que se seguiu seria uma ironia da história".
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