17/04/2022

Ajude a campanha “Viva Tião”

 



Produtor cultural brasileiro vai ser a primeira pessoa no mundo a passar por um tratamento específico - e revolucionário - contra a leucemia nos Estados Unidos; médico que conduz o tratamento também é brasileiro 

O produtor cultural Sebastião Braga, 37 anos, que vive em São Paulo, vem lutando contra o câncer desde março de 2020 quando foi diagnosticado com uma leucemia - tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos do sangue - do tipo mieloide crônica em fase acelerada (segundo estágio da doença). Em abril de 2021, depois de passar por uma quimioterapia e por meses de internação, ele recebeu a medula doada por sua mãe num transplante chamado alogênico (medula doada) e haploidêntico (medula aparentada). Em março deste ano, com a rotina quase de volta no lugar, Sebastião começou a perceber novos sintomas da doença e através de um exame de hemograma diagnosticou que a leucemia LLA-B, infelizmente, tinha voltado. E essa nova fase se torna mais tensa porque em cada recidiva (retorno da atividade da doença) a doença se mostra mais forte e resistente para ser combatida. 

Internado no hospital Beneficência Portuguesa, onde fez todo o tratamento até então com a equipe do Dr. hematologista Breno Gusmão, Sebastião conta agora também com a ajuda do Dr. pesquisador Vanderson Rocha. A dupla de médicos encontrou uma nova pesquisa de células CAR-T nos Estados Unidos, na Universidade de Columbus, em Ohio, organizado pelo médico brasileiro Dr. Marcos de Lima, que se mostra como a principal chance de sua cura. As células T usadas na terapia de células CAR-T (em inglês CAR-T Cell), em seu estado natural, são as células que nos protegem contra infecções e tumores, mas elas podem perder a capacidade de “enxergar” as células do câncer. O que o tratamento faz é extrair as células T do sangue do paciente e modificá-las geneticamente em laboratório para que elas possam voltar a identificar as células cancerígenas específicas adicionando um receptor artificial, denominada receptor de antígeno quimérico ou CAR.Como diferentes tipos de câncer têm diferentes antígenos, cada CAR é feito para um antígeno específico. Por exemplo, determinados tipos de leucemia ou linfoma têm um antígeno denominado CD-19. Para tratar esses cânceres, a terapia com células CAR-T são produzidas para se conectar ao antígeno CD-19 e não funcionarão para outro tipo de câncer que não tenha esse antígeno. As próprias células T do paciente são usadas para produzir as células T do CAR. 

Até o momento, o tratamento, que tem tido resultados animadores nos Estados Unidos, só foi feito com antígenos CD-19, CD-20 ou CD-22; em alguns casos, o tratamento atingiu duas dessas variações, por exemplo, CD-19 e CD-20. O caso do Sebastião será o primeiro no mundo em que será realizado um triplo CAR-T, mirando os antígenos CD-19, CD-20 E CD-22 de uma só vez! 

Esse tratamento foi inicialmente desenvolvido nos Estados Unidos, onde é oferecido por dois laboratórios farmacêuticos a um preço de 400 mil dólares - sem considerar os gastos com a internação. No Brasil, a técnica é utilizada até o momento apenas de forma experimental. Ela foi testada pela primeira vez em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, em 2019, na Faculdade de Medicina da USP, em um paciente diagnosticado com linfoma não Hodgkin de células B, considerado em estado terminal. A abordagem mostrou resultados animadores, mas os médicos não conseguiram acompanhar o quadro do paciente a longo prazo porque ele morreu dois meses após o tratamento em decorrência de um acidente doméstico. Hoje, além da USP de Ribeirão, o hospital Albert Einstein também possui a máquina responsável por produzir as células CAR-T - aparelho que demanda um alto custo de manutenção e gente especializada para operá-lo - e aguarda algumas validações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para poder colocá-la em atividade. 

A Anvisa, aliás, aprovou em fevereiro deste ano o primeiro registro sanitário da terapia gênica com células CAR-T, desenvolvida pela Novartis Biociências. A indicação é para pacientes pediátricos e adultos com até 25 anos de idade com leucemia que já passaram por outros tratamentos e não tiveram melhora. E também para pacientes adultos com linfoma que já foram submetidos a duas ou mais linhas de terapia - perfis tão específicos que, infelizmente, deixam muitos brasileiros e brasileiras sem acesso ao tratamento. Vale lembrar que a taxa de mortalidade de pessoas com leucemia vem crescendo no Brasil, como indica um levantamento feito pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), publicado em 2020. A partir de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a entidade contabilizou 62.385 óbitos decorrentes da doença entre 2007 e 2016. No primeiro ano analisado, foram 5.721 fatalidades. Quase uma década depois, o número chegou a 7.061, um aumento de 23%. O número de casos também seguiu essa crescente: segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), só em 2020 o Brasil teve 10.810 novos casos de leucemia, um aumento de 31,8% em relação aos 7.370 de 2019.

 Como buscar o tratamento nos Estados Unidos é a única opção, o Sebastião conta com a ajuda de familiares e de seus muitos amigos espalhados por diferentes cantos do Brasil e do mundo para tentar, por meio da campanha “Viva Tião!”, arrecadar em quatro semanas entre abril e maio 1 milhão de reais necessários para bancar parte do tratamento, que pode durar de dois a três meses, e a sua estadia.

 Além de ajudar a dar visibilidade para a campanha “Viva Tião!”, a reportagem pode ser muito importante para jogar luz sobre essa revolucionária terapia e fazer com que o governo e as empresas, uma vez que o tratamento tenha a sua eficácia comprovada através do caso do Sebastião e de outras pessoas, invistam nesse tratamento e acelerem os processos para que ele esteja disponível para o maior número de brasileiros possível a um preço mais acessível ou sem custos via SUS.


Como ajudar o Tião:

PIX: CPF 045.728.009-36 BANCO DO BRASIL AG 3185-2 CC 16852-1

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