18/06/2022

“A investigação mais rápida da história acha que engana a quem?”, indaga Jamil Chade sobre caso Bruno e Dom

 


A conclusão divulgada pela PF de que “não há mandantes” dos crimes de Bruno Pereira e Dom Phillips gerou indignação e questionamentos

www.brasil247.com - Agentes da PF carregam, em Brasília, caixão com restos mortais após suspeito confessar ter matado Dom Phillips e Bruno Pereira
Agentes da PF carregam, em Brasília, caixão com restos mortais após suspeito confessar ter matado Dom Phillips e Bruno Pereira (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
 

247 - Jornalistas, lideranças indígenas e outros formadores de opinião têm avaliado nas redes sociais e em colunas como irresponsável a Polícia Federal divulgar uma conclusão sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips na Amazônia. “A investigação mais rápida da história acha que engana a quem?”, indagou Jamil Chade no Twitter neste sábado (18).

Em nota nesta sexta-feira (17), a PF afirmou que “as investigações prosseguem e há indicativos da participação de mais pessoas na prática criminosa”, mas que “as investigações também apontam que os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”. 

Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) contestou a versão e disse que já vem informando as autoridades sobre a atuação de um grupo criminoso organizado na região, denúncias que foram ignoradas, segundo a entidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
.

"O grupo de caçadores e pescadores profissionais, envolvido no assassinato de Pereira e Phillips, foi descrito em ofícios enviados ao MPF (Ministério Público Federal), à PF e à Funai (Fundação Nacional do Índio). Descrevemos nomes dos invasores, membros da organização criminosa, seus métodos de atuação, como entram e como saem da terra indígena, os ilícitos que levam, os tipos de embarcações que utilizam em suas atividades ilegais", diz trecho do ofício.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A avaliação da Univaja é que o "requinte de crueldade" no modo como Pereira e Philips teriam sido mortos indica que eles estavam "no caminho" de uma organização criminosa, que tentou ocultar seus rastros durante a investigação.

Para o jornalista Josias de Souza, a versão da PF “é precipitada, desrespeitosa e espantosa”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Tanta pressa desrespeita os familiares dos mortos e todos os que esperam por uma investigação criteriosa, profunda e definitiva. A ligeireza insulta também quem se dispõe a colaborar com os investigadores”, escreveu ele em uma coluna. “A mando de quem PF diz não haver mandante?”, questionou. 

"É irresponsabilidade da Polícia Federal cravar a solução de uma investigação tendo a começado há poucos dias", disse o jornalista Leonardo Sakamoto. "Os corpos foram encontrados agora, ainda vão passar por análise forense e outros processos para descobrir a causa de mortes, o tempo que eles estavam lá, e ver se isso se encaixa com as confissões", completou.

O senador Randolfe Rodrigues também estranhou a postura. “Algumas perguntas do caso Dom e Bruno que estão sem respostas: por que a PF quer encerrar o caso tão prematuramente? Por que a PF, precipitadamente, afirma que não tem nenhum mandante da morte dos dois? Por que a PF não quer ouvir nenhuma autoridade de Atalaia do Norte?”, perguntou o parlamentar no Twitter.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário