Rio
de Janeiro, 20 de dezembro de 2022 – A Fábrica de Fertilizantes
Nitrogenados da Petrobrás no Paraná (Fafen-PR), em Araucária, que estava no
plano de desinvestimento da empresa, continuará sob comando da companhia. O
anúncio foi feito na noite desta segunda-feira, 19.
Fechada desde março de 2020, a
Fafen-PR era responsável pela produção de 30% do mercado brasileiro de ureia e
amônia e de 65% do Agente Redutor
Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na
redução de emissões atmosféricas.
O Brasil é o quarto maior produtor de grãos do mundo e o
segundo maior exportador. Essa produção exige a utilização de fertilizantes e
hoje 85% desses produtos são comprados no mercado internacional, sendo a Rússia
um dos maiores fornecedores do insumo para o agronegócio brasileiro.
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos
Petroleiros (FUP), comemorou o encerramento do processo de venda. “Dependemos
da importação de fertilizantes que antes a Petrobrás produzia em Sergipe, Bahia
e Paraná, da mesma forma que a privatização e subutilização de nossas
refinarias vêm tornando o país dependente da importação de derivados do
petróleo”.
Bacelar observou que o consumidor e
o mercado interno perceberam que privatizar setores estratégicos do Estado tem
impacto direto na soberania nacional. “Perdemos ativos importantes no governo
Bolsonaro, agora precisamos reconstruir o que foi destruído nos últimos anos”,
disse o dirigente.
Gerson Castellano, petroquímico e diretor de relações
internacionais da Federação, lembra que a FUP, desde 2015, fala sobre o risco
de o Brasil ficar na dependência externa. “A Petrobrás arrendou a Fafen da
Bahia e do Sergipe para a Unigel, que vem priorizando exportações de amônia para
produzir ureia no país. A produção de fertilizantes é estratégica. Comer é algo
que independe de crenças. Quando falamos de agricultura, estamos falando de uma
questão de segurança nacional. A questão alimentar extrapola ideologias”, lembra
Castellano.
A saída definitiva da Petrobrás do setor de fertilizantes
foi anunciada pelo governo Bolsonaro em 2019. Nos últimos anos, o Brasil
aumentou sua dependência de importação para suprir o mercado doméstico,
enquanto suas unidades de fertilizantes permanecem desativadas. Segundo dados
da balança comercial brasileira, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex),
analisados pela área econômica da FUP, no ano de 2021, o Brasil gastou US$ 15,2
bilhões em importações de adubos e fertilizantes químicos. O valor é 90% maior
do que o gasto em 2020. Foi o produto mais importado entre os itens da
categoria “indústria de transformação”. O país adquiriu no exterior 41,5
milhões de toneladas de fertilizantes – incremento de 22% nas quantidades –, a
preço médio de US$ 364,34 por tonelada, 56% acima dos valores pagos em 2020.
A Fafen-BA – cujos principais produtos são amônia, uréia,
gás carbônico e Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32) –, foi hibernada em
2018 e arrendada à Proquigel, subsidiária da Unigel, em 2020, assim como a
Fafen-SE, produtora de ureia fertilizante, ureia para uso industrial, amônia,
gás carbônico e sulfato de amônio (também usado como fertilizante).

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