10/02/2023

Segundo Manifesto Contra a Privatização da Sabesp e ato no dia 14/02 na frente da bolsa de valores



Este manifesto foi divulgado durante a reunião de trabalho da Frente Parlamentar pela privatização da Sabesp:

 Oposição faz reunião de trabalho contra privatização da Sabesp

https://searadionaotoca.blogspot.com/2023/02/oposicao-comeca-se-organizar-contra.html

Dia 14 de fevereiro tem ato contraa privatização:



Segundo Manifesto Contra a Privatização da Sabesp

São Paulo, 07 de fevereiro de 2023

 

O novo Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, finalmente disse em alto e bom som o que tentou desdizer durante a sua campanha: vai privatizar a Sabesp. E quer fazê-lo neste ou no próximo ano.

A Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, cumpre um papel primordial na oferta de serviços de água e esgoto tratado 30 milhões de paulistas em 375 municípios. A Frente Parlamentar Contra a Privatização da Sabesp, formada na Assembleia Legislativa de São Paulo, é contra a venda da maior empresa pública paulista por entender que o Governo do Estado não pode se abster de seu papel decisivo na universalização do saneamento no território de São Paulo.

Tarcísio quer dar um rumo para a Sabesp que está em absoluta contramão com a tendência no saneamento mundial: o movimento generalizado de reestatização dos serviços de água e esgotos. Segundo o levantamento do Instituto Transnacional (TNI), centro de pesquisas com sede na Holanda, cidades como Berlim, Paris e outras 267 localidades em todos os continentes reestatizaram os serviços privatizados de saneamento na última década, pois foram s experiências malsucedidas. Em São Paulo, isso ocorreu no município de Itu.

As razões são parecidas: após serem transferidos para a gestão da iniciativa privada, tais serviços não se mostraram eficientes. Os investimentos prometidos não foram suficientes, as tarifas subiram muito e o serviço, em muitos casos, piorou. Entretanto havia elevadíssimas somas de remessas de lucros e de pagamentos de bônus para os executivos das empresas privadas.

Ademais, a iniciativa privada já participa do saneamento público no Estado pois 49,7% das ações da Sabesp estão na B3 (Bolsa de São Paulo) e na Bolsa de Nova York. Participa em várias PPPs da própria Sabesp e nos serviços de consultorias, obras e manutenções diversas. A Frente não é contra a participação da iniciativa privada no saneamento.

A privatização de Tarcísio, por sua vez, não tem como objetivo atrair mais capital privado, mas abrir mão do controle acionário da Sabesp. Isso significa abrir mão do mais estratégico instrumento de política pública de saneamento no Estado, que ganha ainda mais relevância em tempos de emergência climática e crise hídrica, bem como da extrema importância da promoção de ações integradas com as políticas públicas de saúde e habitação.

O Marco Civil do Saneamento (Lei Federal nº 14.026) estabelece que, até 2033, 99% das residências terão de ser ligadas à rede de água tratada e 90% das moradias deverão ter acesso à rede de esgoto, igualmente tratado.

A Sabesp, que já alcançou ou superou essas metas em 304 dos 375 municípios por ela operados, é o principal instrumento para fazer cumprir as metas ousadas e necessárias para a universalização do acesso à água e esgoto tratado no Estado de São Paulo. Aqui ainda há importantes passivos no saneamento básico, pois 31 dos 645 municípios do Estado possuem índice de coleta de esgoto inferior a 50% das residências, segundo dados do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS). Há maior deficiência de acesso a abastecimento de água e esgotamento sanitário pelas populações de áreas rurais, das periferias urbanas e de pequenas cidades não operadas pela Sabesp.

 

São regiões que demandam grandes investimentos e, invariavelmente, sem retornos financeiros que exigem aplicação de recursos a fundo perdido ou por subsídio cruzado conforme é a muito bem sucedida prática da Sabesp. Portanto, parece irreal que uma lógica empresarial baseada na geração de lucros e máxima distribuição de dividendos para acionistas consiga resolver demandas estruturais por água e esgoto tratado nas regiões mais carentes e isoladas do Estado. O desafio colocado requer compromisso público, uma marca da Sabesp que não deverá perdurar caso venha a ser privatizada.

A Frente Parlamentar Contra a Privatização da Sabesp posiciona-se contra qualquer projeto do governo estadual para a venda total ou parcial da empresa, um patrimônio de todos os paulistas. Um mau negócio que aumentará a conta de água dos cidadãos e que não dá garantias de que um melhor serviço será prestado.

Não à privatização da Sabesp!

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