Nós, brasileiros, entidades e associações abaixo assinadas/os, fomos surpreendidos pela decisão do Governador do Estado de São Paulo, Sr. Tarcísio de Freitas de mudar o nome da futura estação da linha 2-verde do metrô de Educador Paulo Freire para Fernão Dias.
Entendemos que nomear a estação com o nome de Fernão Dias significa fortalecer um protagonista, outrora tido, pela história oficial como desbravador, mas considerado atualmente, a partir de revisões e estudos realizados por eminentes historiadores, como exterminador dos povos indígenas e escravagista. Em contrapartida, nomeá-la com o nome de Paulo Freire faz justiça à sua trajetória e contribuição à educação brasileira e mundial.
O Metrô de São Paulo, conforme publicação de Mônica Bérgamo, no jornal Folha de São Paulo, versão on-line, em 14.03.2023, justifica a mudança afirmando que ela se baseia em pesquisa de opinião feita com moradores de regiões próximas da futura estação.
Sabemos dos limites de uma pesquisa de opinião em populações que muitas vezes não têm informações suficientes para opinar de forma consistente e nos perguntamos: como foi feita essa pesquisa? Os entrevistados receberam informações corretas sobre quem foi Paulo Freire e Fernão Dias? Ou responderam apenas baseados no nome mais conhecido?
Os entrevistados sabem que Paulo Freire é o Patrono da Educação brasileira, por ter sido um grande educador, mundialmente reconhecido e autor de uma vasta obra sobre educação? Sabem que ele foi secretário municipal de educação de 1989 a 1991, tendo promovido um grande avanço na educação municipal de São Paulo? Os entrevistados sabem quem foi Fernão Dias, para além da pseudo-história que muitos de nós aprendemos na escola? Sabem que ele teve uma trajetória atrelada à exploração indígena, fato hoje fortemente condenado?
A decisão do governador demonstra desconhecimento da importância do Educador Paulo Freire, no cenário estadual, nacional e internacional, desmerece a importância do cargo que ocupa e o coloca no rol de bolsonaristas extremados.
Sabemos que Paulo Freire foi perseguido durante os quatro anos do governo Bolsonaro e, mesmo antes, por obscurantistas que tentaram, sem êxito, tirar-lhe o título de Patrono da Educação Brasileira. A perseguição chegou a tal ponto que, em 2021, a Justiça Federal do Rio proibiu o governo federal de tomar qualquer atitude que atentasse contra a dignidade de Paulo Freire. Vemos agora, essa perseguição chegar a São Paulo?
Impossível aceitarmos essa proposta absurda, tosca, desnecessária. Paulo Freire, ainda vivo e presente com sua obra inteligente, sensível e politicamente a favor das classes sociais mais desfavorecidas e sempre exploradas, não merece esse beliscão ideológico mal colocado no tempo e no espaço. O Estado de São Paulo não precisa dessa atitude politicamente nefasta.
Paulo Freire, como sempre, sobreviverá aos ataques mesquinhos e suas contribuições à qualidade da educação mundial permanecerão. Assim, manifestamos nosso repúdio a essa decisão e exigimos que seja repensada e abolida.
Defendemos com veemência a manutenção do nome de Paulo Freire para a referida estação. É fundamental que a população de São Paulo saiba quem foi Paulo Freire e que nossos governantes valorizem quem realmente lutou por uma sociedade mais justa e mais humana.
São Paulo, 15 de março de 2023
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