17/03/2023

CNTE convoca para 22 de março Dia Nacional de Lutas pela Aplicação do Reajuste do Piso nas Carreiras dos Trabalhadores em Educação

 

Valorização Profissional

reajuste do piso paralisacao materia site

A aplicação do reajuste do Piso Nacional do Magistério na carreira da educação (e a cobrança para que o governo federal encaminhe a regulamentação da lei de diretrizes e carreira para valorizar todos os que fazem a escola funcionar serão as bandeiras principais do Dia Nacional de Lutas pela Aplicação do Reajuste do Piso nas Carreiras dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação, que a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) convocou para a próxima quarta-feira, dia 22 de março.

Apesar de garantido em lei desde 2008, o piso ainda não é cumprido por todos os estados e municípios. Além disso, o reajuste anual garantido aos educadores e educadoras não se estende a todos os trabalhadores e trabalhadoras devido a medidas que ainda não foram adotadas pela União.

A Emenda Constitucional 53, que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), em 2007, aponta que o piso é para todos os profissionais. Dois anos após essa medida ser implementada, a Lei 12.014 incluiu todos os funcionários das escolas, como diretores e agentes escolares, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Segundo o presidente da CNTE, Heleno Araújo, há brecha legal sobre esse reconhecimento que é usado pelos governos para tratar quem não é educador de maneira diferente. Ele destaca que a meta 17 da Lei do Plano nacional de Educação indicava que em 2020, a média salarial do professor deveria ser equiparada à média salarial dos demais profissionais com a mesma formação. Mas os valores seguem 70% menores em relação a outras carreiras.

Os municípios, os estados e o Distrito Federal devem atuar com transparência e honestidade na aplicação dos recursos públicos para as políticas sociais, entre elas a educação. Eles devem aplicar o parágrafo 5o. do artigo 69 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), que determina os repasses de recursos financeiros, a cada 10 dias, para a secretaria de educação fazer a gestão dos recursos da educação. Também precisamos garantir o controle social para que tenhamos plenas condições de funcionamento dos Conselhos do Fundeb e aplicar uma política de formação continuada aos conselheiros”, define o dirigente.

Desvalorização

Não há educação de qualidade sem trabalhadores/as valorizados/as e o Brasil precisa avançar muito nesse aspecto. Um estudo de 2021 aponta que o piso salarial dos professores e professoras do ensino fundamental no país é o mais baixo entre os 40 países listados em relatório da Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Secretário de imprensa e divulgação da CNTE, Luiz Carlos Vieira, ressalta ainda a discrepância gerada por estados e municípios com a ausência de uma diretriz nacional de carreira, que permite a aplicação do piso exclusivamente nos estágios iniciais.

Quando se aplica o piso apenas a quem está no início da carreira, isso gera uma desvalorização daqueles que têm mais tempo de serviço e maior formação na área da educação”, pontua Vieira.

Luta pela aplicação do piso em todo país

A mobilização do dia 22 ajudará a fortalecer quem luta contra a precarização, como é o caso do Rio Grande do Norte, onde os professores e professoras da rede estadual e municipal se mantém em greve desde o início de março.

Esse não é um caso isolado. A paralisação também foi o único caminho encontrado para cobrar governos de estados como Maranhão e Tocantins, além de gerar mobilizações como a de Minas Gerais.

Já no Mato Grosso do Sul o problema é o investimento nos profissionais contratados como temporários, explica a diretora executiva da CNTE e secretária de Políticas Educacionais da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS), Sueli Veiga Melo. Apesar de o Estado pagar acima do previsto para o Piso Nacional, quem não é concursado tem passado por um processo de desvalorização. “Temos problemas sérios, porque o governo paga aos temporários, em média, 40% deste valor. A FETEMS está em negociação para equipar os salários deles aos efetivos”, explica.

CNTE sempre esteve na luta pela valorização da categoria

Enquanto promove mobilizações em todo o país, a CNTE também tem dialogado com o Ministério da Educação e parlamentares para cobrar a defesa da valorização do piso e da carreira de todos os profissionais das escolas.

Em fevereiro, a confederação realizou um encontro com deputados de sete estados para tratar da importância da defesa do ensino público e de qualidade no país. No mesmo mês, levou a pauta para ser discutida com o Ministério da Educação (MEC) e buscar soluções para a aplicação de políticas de valorização dos profissionais da educação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário