Nota de Repúdio do Setorial Estadual da Educação do PT/SP São Paulo, 14 de março de 2023
Fomos surpreendidos hoje com a notícia de que o Governador do Estado, Tarcísio de Freitas, deu aval para os dirigentes do metrô trocar o nome da futura estação Paulo Freire na Zona Norte da capital paulista, pelo nome do polêmico escravagista dos povos originários e perseguidor de jesuítas, Fernão Dias.
Segundo o metrô, foram os moradores que decidiram, numa pesquisa, pela troca de nomes.
Será? Que tal fazer uma breve comparação entre as duas biografias:
Fernão dias, “o caçador de esmeraldas”, era considerado, por volta de 1640, o homem mais rico dos paulistas, dono de muitos escravos e proprietário de vastas fazendas.
Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, criou uma metodologia dialógica que foi considerada perigosamente subversiva pelo regime militar, o que rendeu a ele, 72 dias de cadeia e o exílio, iniciado no Chile onde escreveu o seu principal livro: Pedagogia do Oprimido (1968), que se tornou o terceiro livro mais citado em trabalhos acadêmicos nas ciências sociais no mundo, segundo a revista online da London School of Economic (LSE)
Fernão Dias, participou em 1638 da famosa bandeira ao sul do Brasil, comandada por Antônio Raposo Tavares onde acabou com as reduções jesuíticas e submeteu milhares de indígenas à escravidão.
Paulo Freire, foi em 1969 para os Estados Unidos onde lecionou na Universidade de Harvard e no ano seguinte foi para Genebra, Suíça, onde trabalhou como consultor do Conselho Mundial das Igrejas (CMI).
Fernão Dias retornou em 1665, com gente de três tribos, mais de quatro mil índios, mas, sem conseguir vendê-los, passou a administrá-los numa aldeia em suas terras, abastecendo assim suas próprias lavouras.
Paulo Freire, retornou ao Brasil do exílio em 1980, sendo contratado para lecionar na Unicamp e na PUC-SP. Em 1989, com a eleição de Luiza Erundina (PT), assumiu a Secretaria da Educação no Município de São Paulo sendo que as marcas mais importantes de sua gestão foram a luta pela construção de uma escola popular e democrática e a conquista de direitos para os professores como a criação do Estatuto do Magistério Municipal.
Em 1681 Fernão Dias tenta retornar para São Paulo, mas morre nas proximidades do rio das Velhas. Anteriormente, tinha mandado enforcar o seu próprio filho, José Dias Paes para dar “exemplo”, pois ele teria conspirado contra o pai
E foi essa trajetória que levou Paulo Freire a ser o brasileiro mais homenageado da história, com pelo menos 35 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América.
Por outro lado, Fernão Dias Paes não descobriu as cobiçadas esmeraldas, pois, verificou-se que as pedras verdes por ele encontradas em Vupabuçu, eram turmalinas.
Que difícil escolha, hein Tarcísio?
Dessa forma, o Setorial Estadual de educação, vem protestar contra essa mudança extravagante e duplamente arbitrárias: desrespeitosa contra Paulo Freire, mas ao mesmo tempo uma violenta chibatada no lombo dos nossos aos povos originários, cujas algumas nações estão à beira do extermínio, causada pelo Fernão Bolsonaro Dias dos nossos tempos. Finalmente, conclamamos ao bom senso do Governador para que reverta a decisão e mantenha Paulo Freire como nome dessa futura estação do metrô.
Setorial Estadual da Educação, PT/SP

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