_Presença feminina cresceu, mas representa apenas 17% do total de trabalhadores da Petrobrás. Em todas as funções na empresa, as mulheres recebem menos do que os homens, exercendo a mesma atividade
Rio de Janeiro, 8 de março de 2023 – Profissões até recentemente consideradas
masculinas, ‘coisa exclusiva de homem’, vêm sendo exercidas cada vez mais por mulheres,
que lutam contra a discriminação de gênero no ambiente de trabalho, manifestada de
diferentes formas, desde assédios até salários mais baixos que os dos homens, exercendo
a mesma atividade.
No setor brasileiro de petróleo e gás, reduto reconhecidamente machista, encontramos
14.448 mulheres trabalhando em 2022, representando 16,5 % do total de trabalhadores do
país.
O cenário nacional é parecido com o perfil da Petrobrás, onde as 7.670 petroleiras
empregadas equivalem a 17% da força de trabalho da empresa no ano passado, segundo
levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese/ subseção Federação Única dos Petroleiros – FUP), com base em dados de
relatório de sustentabilidade da empresa.
“A presença feminina na Petrobrás cresceu entre 2000 e 2012, passando de 12% para 17%.
Mas, desde 2012, o percentual de mulheres na companhia ficou estagnado nesses 17%”,
observa o pesquisador do Dieese/ FUP Cloviomar Cararine.
Houve alguns avanços quanto à participação feminina na maior empresa do país, onde os
cargos de chefia ocupados por mulheres aumentam continuamente, atingindo hoje 19,4%
do total. Porém, um corte estatístico do perfil étnico-racial das mulheres na Petrobrás
mostra que trabalhadoras pretas representam 0,04% do total de gerentes da empresa e
0,04% em outras funções gratificadas.
A pesquisa do Dieese/FUP revela ainda que, em todas as funções exercidas na Petrobrás,
as mulheres recebem menos do que os homens. Nos cargos de nível médio elas ganham,
em média, 77% de uma remuneração masculina, exercendo a mesma atividade. Quando se
trata de nível superior, esta relação é melhor, chegando a 92% da remuneração dos
homens.
Com base na série histórica da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério
do Trabalho e Emprego) percebe-se que as mulheres sempre receberam remuneração
menor que os homens no setor petrolífero brasileiro, embora esta relação venha
melhorando gradativamente, diz Cararine.
As mulheres petroleiras atuam nas diferentes unidades da empresa, entre refinarias,
terminais logísticos, plataformas de petróleo. Estão também no conselho de administração
da Petrobrás, por meio da engenheira geóloga Rosangela Buzanelli, eleita representante
dos trabalhadores no colegiado.
Além da questão salarial, as petroleiras sofrem outros tipos de dificuldades na rotina de
trabalho, por causa do machismo estrutural na sociedade, que também se reflete nos
espaços profissionais.
A petroleira Cibele Vieira, diretora da FUP, acredita que a construção dos papéis de gênero
é social, não biológica. “Estamos lutando há muito tempo para desconstruir os estereótipos
na sociedade. Não é fácil se reconhecer como vítima do machismo”, diz ela.
Miriam Cabreira é técnica de Operação na refinaria Alberto Pasqualine (REFAP) no setor de
craqueamento e atualmente a única presidente mulher de um sindicato da categoria. No
caso, o Sindipetro do Rio Grande do Sul, com seus quase 60 anos de existência. Miriam foi
eleita em 2021. “Entrei no movimento sindical em 2011 para dar minha contribuição, mas,
ao tomar dimensão da importância de ter mulheres no movimento sindical, continuei”.
O ambiente sindical continua sendo predominantemente masculino, mas há movimentos
para mudar esse quadro. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical
do Brasil e da América Latina, com 3.806 entidades filiadas, desde 2012 vem trabalhando a
paridade na participação das mulheres. A princípio, 30% da diretoria da Central deveria ser
composta por mulheres. Hoje, há a obrigatoriedade da paridade, ou seja, 50% dos
dirigentes são mulheres.
Duda Quiroga, vice-presidente da CUT-Rio, explica que a exigência vai além. “Não basta só
a paridade física de gênero, é necessário ter paridade com qualidade, garantindo também a
igualdade na participação efetiva das mulheres no dia a dia das entidades”, diz ela.

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