12/03/2023

"REVER" A REFORMA DO ENSINO MÉDIO É O MESMO QUE NADA

 





Não há motivos para comemorar a tímida sinalização de que o MEC fará “ajustes” na reforma educacional antipovo de Michel Temer.

"Praticamente ausentes do debate público neste momento, os formuladores empresariais da reforma de Temer tentam forçar a manutenção de tudo como está em reuniões a portas fechadas com o MEC, como já faziam desde a transição de governo. A fim de deitar água fria na fervura da revogação, o ministério pretende criar um grupo de trabalho para discutir os problemas da reforma. Para isso, vem sondando uma série de especialistas em universidades e outras organizações, que, seguindo manjado roteiro de encenação participativa, serão perfilados a número equivalente de defensores da reforma.

Uma vez que Camilo Santana já declarou que a revogação da Lei n. 13.415/2017 está fora de questão, o único resultado possível desta “abertura” ao debate é a “revisão” desejada pelo ministro. Para sermos justos, aliás, há um segundo resultado: o bônus político de o governo federal reunir os formuladores e os críticos do Novo Ensino Médio na mesma foto, diluindo a amplitude da crítica. Numa tacada só, o governo Lula avança com o programa educacional de Temer e isola a parte mais substancial da crítica à reforma do ensino médio, qualificando-a como “raivosa” ou “sectária” enquanto invisibiliza a profusão de evidências empíricas da tragédia educacional em curso nas escolas do país.

Outros ministérios estão fazendo jus à promessa eleitoral da chapa Lula/Alckmin de reverter retrocessos, eliminar políticas deletérias e reconstituir direitos do povo brasileiro. Já o MEC opera na chave de um centrismo reacionário que demoniza a crítica enquanto promove “debates” assimétricos com resultados pré-determinados".

Artigo completo em: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/rever-a-reforma-do-ensino-medio-e-o-mesmo-que-nada/

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