Na legislação
brasileira raramente se encontram referências específicas às mulheres
indígenas. São quase nulas as menções diretas às mulheres indígenas reconhecendo
as suas contribuições milenares no desenvolvimento sustentável e na formação cultural
do País.
A partir dessa
constatação, a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) apresentou nesta
quarta-feira (7) na Câmara Federal o Projeto de Lei nº 2975/23. Ele se destina
a introduzir mudanças pontuais na legislação vigente considerando a situação
específica da mulher indígena no enfrentamento da violência, de promoção da
saúde e no acesso à educação.
A justificativa
do projeto ressalta que a discussão da matéria se revela até certo ponto complexa
porque a intervenção legislativa em qualquer questão referente às comunidades
indígenas deve observar sua “autonomia sociocultural”, inclusive as
“perspectivas de gênero e geracional” prevalecentes nessas comunidades, no que
elas têm de específico.
E ainda que não
se pode simplesmente agir, mesmo com a maior boa-fé, de acordo com concepções
sobre o bem-estar das mulheres indígenas que venham de fora de suas vivências
próprias. Sequer se pode homogeneizar as experiências das diversas comunidades
indígenas, tratando uniformemente a situação das mulheres indígenas nos mais
variados contextos.
De forma objetiva
o PL propõe a inserção das mulheres indígenas em alguns artigos da Lei nº
11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), da Lei nº 8.080, de 19 de
setembro de 1990 (Sistema Único de Saúde) e da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro
de 1996 (Diretrizes e Bases da Educação) e ainda no Decreto-Lei nº 2.848, de 7
de dezembro de 1940 (Código Penal).
“Esse projeto de
lei se insere entre as iniciativas destinadas a democratizar em profundidade a
sociedade brasileira, favorecendo a participação social efetiva e igualitária
de grupos populacionais historicamente subalternizados”, declarou a deputada.
Ela aponta a
necessidade de debater o tema com profundidade. “Precisamos eventualmente
convidar especialistas e militantes para discutir o tema de maneira mais ampla
em audiências públicas nas comissões da Câmara dos Deputados”, acrescenta.
O PL é um passo significativo para
promover a equidade de gênero e a valorização das mulheres indígenas em nosso País.
É pode garantir que elas tenham acesso igualitário aos direitos básicos e às
oportunidades que todas as mulheres merecem.

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