26/06/2023

Inconsistências contábeis de R$ 1 trilhão no BC devem complicar situação de Campos Neto

 



As distorções em demonstrações contábeis referem-se a 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro e podem ser usadas para pedir a demissão de Campos Neto do cargo

Roberto Campos Neto e plenário do Senado
Roberto Campos Neto e plenário do Senado (Foto: Agência Senado)
 

Inconsistências contábeis de R$ 1 trilhão no BC devem complicar situação de Campos Neto · Ouvir artigo
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RBA - As suspeitas da Controladoria-Geral da União (CGU) de inconsistências de mais de R$ 1 trilhão no Banco Central em 2019 é uma arma que poderá ser usada contra o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Isso se ele insistir em manter em alta a taxa de juros, atualmente 13,75%. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o caso que está sendo apurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pode ser usado por aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 Há expectativas, segundo o veículo, de que se Campos Neto fosse condenado pelo TCU, o Senado abriria um processo pedindo a cassação do mandato do atual presidente do BC. Um documento enviado ao Banco Central menciona dados da CGU, segundo os quais “foram identificadas R$ 1,08 trilhão de distorções nas demonstrações contábeis” do ano ano que corresponde ao primeiro do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que nomeou Campos Neto.

 Ainda segundo o jornal, após suas diligências, auditores do TCU concluíram que “tais demonstrativos não refletem adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a situação patrimonial, o resultado financeiro e os fluxos de caixa do BC”.

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 Os auditores do Banco Central, por sua vez, explicaram ao relator do processo, ministro Jonathan de Jesus, que não há nada de errado na contabilidade apresentada. E que os balanços dos anos posteriores foram aprovados sem ressalvas pelo próprio TCU.

 Ao jornal, disseram tratar de “mera divergência de interpretação entre o BC e a CGU sobre a forma de divulgação das informações nas demonstrações financeiras, como a divulgação do fluxo de caixa em moeda local ou a segregação entre circulante e não circulante”.

O ministro herdou de Bruno Dantas, atual presidente do TCU, o processo das contas do BC. E já solicitou documentos e balanços, que já estão sendo auditados. Para lideranças partidárias aliadas do governo, ministros do TCU e chefes no Planalto a estratégia não é infalível e há espaço para a defesa de Campos Neto. Presidido pelo presidente do BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) que estabelece a taxa básica da economia resiste em diminuir a taxa. O argumento é o controle da inflação, que está em torno de 5%. Para o presidente Lula, Campos Neto joga contra os interesses do Brasil.

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