16/06/2023

Mulheres cobram do Congresso Nacional apreciação de convenção da OIT de combate à violência e assédio no trabalho




do PT na câmara

 
 
 
Deputada Juliana Cardoso coordena debate sobre violência e assédio no trabalho T - Foto: Gustavo Bezerra

Dezenas de representantes de organizações feministas e de setores de mulheres de 

movimentos sindicais e sociais lotaram um dos plenários da Câmara, nesta quinta-feira (15), 

para exigir a ratificação, pelo Congresso Nacional, da Convenção 190 da OIT (Organização 

Internacional do Trabalho), que tem como objetivo combater a violência e todas as formas 

de assédio no ambiente de trabalho. Durante audiência pública realizada na Comissão de 

Defesa dos Direitos da Mulher, por iniciativa da deputada Juliana Cardoso (PT-SP), foi l

embrado que o presidente Lula já assumiu o compromisso de ratificar a proposta.

No dia 08 de março – Dia Internacional da Mulher – Lula enviou mensagem ao Congresso

 pedindo a votação da Convenção.

A Convenção 190 avança na definição jurídica sobre o que é violência e assédio no 

ambiente laboral, além de cobrar dos Estados medidas legislativas e administrativas 

para enfrentar os problemas. Na abertura da reunião, a deputada Juliana Cardoso destacou 

que esse debate é necessário porque permite “a discussão de uma proposta que combate toda a violência de gênero que ocorre no Brasil, seja nos espaços públicos ou privados”.

A Secretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres,

 Denise Mota Au, ressaltou que não somente a sua pasta, como todo o governo Lula, 

estão comprometidos na luta pela aprovação da Convenção.

“Essa convenção será um instrumento muito importante porque obriga a adoção de 

medidas de prevenção a todo tipo de violência e assédio, seja na esfera pública ou 

privada. Já temos um Grupo de Trabalho no Ministério das Mulheres, do qual participam

 movimentos feministas, sindicais, da sociedade civil e o Ministério do Trabalho, que 

estão fazendo um levantamento das legislações sobre assédio e pensando propostas 

para regulamentar a Convenção 190 no País”, avisou.

A representante do Ministério das Mulheres lembrou ainda que o governo não espera 

de braços cruzados a votação da Convenção pelo Congresso Nacional. Ela lembrou que, 

desde o dia 22 de maio, o governo Lula instituiu um Grupo de Trabalho Interministerial 

para elaborar um plano de enfrentamento à violência e ao assédio na administração pública.

Já a representante do Fórum de Mulheres das Centrais Sindicais, Sônia Maria Zeferino, l

embrou que a ratificação da Convenção 190 da OIT será a concretização de uma luta 

histórica das mulheres trabalhadoras brasileiras.

“Desde o governo Temer e passando pelo do Bolsonaro, passamos seis anos sem que 

as mulheres do movimento sindical fossem ouvidas. Apesar disso, os sindicatos fizeram 

campanhas, reinvindicações e reuniões explicando no ambiente de trabalho o que é 

assédio moral. Esse instrumento jurídico (Convenção 190) protege todas as categorias 

de trabalhadores, seja da área pública ou privada. Porém, sabemos as mulheres, os jovens

 e pessoas negras são os que enfrentam os maiores problemas”, advertiu.

Tipificação do assédio

Deputada Erika Kokay – Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A coordenadora nacional da Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidade e eliminação da Discriminação no Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT), Melícia Alves Mesel, ressaltou que adoção da Convenção 190 da OIT dará melhores condições de combate ao crime de assédio no ambiente de trabalho.

“Nós não temos hoje, a nível federal, nenhuma legislação específica que trate do assédio moral. Isso dificulta o combate a esse crime. Precisamos ratificar logo essa convenção, porque já estamos atrasados”, destacou.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) lembrou durante a reunião os casos de assédio contra funcionários da Caixa Econômica Federal, praticados pelo ex-presidente Pedro Guimarães, nomeado no então governo Bolsonaro.

“Nós vivenciamos o assédio de forma aberta no governo passado. Eu sou oriunda da

 Caixa, e o que mais vimos lá foram inúmeros casos de assédio moral e sexual, principalmente

 contra mulheres, praticados até pelo então presidente do banco. Com a ratificação da

 Convenção 190, faremos um recorte do assédio, particularmente do assédio moral, para

 enfrentarmos esse problema”, observou a petista.

Segundo o representante da OIT no Brasil, Vinicius Pinheiro, 30 países já ratificaram a

 Convenção 190. Destes, cinco da América do Sul. São eles: Uruguai, Argentina, Chile, 

Peru e Equador.

Aumento da fiscalização

Além da importância de ratificar a Convenção, foi destacado ainda durante a audiência

 pública a necessidade de se reforçar a fiscalização para evitar a violência e o assédio 

no ambiente de trabalho. A Diretora do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do 

Trabalho (Sinait), Rosangela Rassy, alertou que o quadro funcional da categoria está 

defasado para cumprir a missão no país.

“Todos nós vimos o desmonte que houve recentemente no governo Bolsonaro, inclusive

 com a extinção do Ministério do Trabalho. Precisamos valorizar a inspeção do trabalho 

no País. A ratificação da convenção 190 é importante para definir o que é assédio no 

ambiente de trabalho, mas precisamos fazer concurso público para fiscal do trabalho. 

Hoje, somos apenas 1959 auditores fiscais do trabalho para cobrir todo o território nacional”, 

lamentou.

Violência de gênero na política

Durante a audiência pública, as mulheres presentes no plenário também fizeram um 

ato desagravo as deputadas de esquerda que foram acionadas no Conselho de Ética 

pelo Partido Liberal (PL). Gritando as palavras de ordem, “Violência Política de Gênero, não!”,

 as manifestantes protestaram contra as ações movidas contra as deputadas petistas 

Juliana Cardoso e Erika Kokay, e as deputadas do PSOL, Célia Xakriabá (MG), Sâmia Bonfim (SP), Fernanda Melchionna (RS), Talíria Petrone (RJ).

Também foi lido um manifesto conjunto assinado pelos ministérios dos Povos Indígenas,

das Mulheres, dos Direitos Humanos e Cidadania e da Justiça, contra a violência política

 de gênero praticada contra as parlamentares.

As deputadas foram denunciadas ao Conselho de Ética por terem chamado de “genocidas”

 os deputados que votaram favoravelmente ao Marco Temporal (PL 490/2007), que impede,

 entre outros retrocessos, o reconhecimento de terras indígenas não ocupadas até a

 promulgação da Constituição de 1988.

Também participaram da audiência pública representantes do Ministério do Trabalho, 

da Internacional de Serviços Públicos, da Fundação Friedrich Ebert no Brasil e 

do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Oasco e Região.

Mulheres defendem ratificação da Convenção 190 da OIT – Foto Gustavo Bezerra

 

Héber Carvalho

 

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