Nas conversas, um procurador identificado como Paulo conta que participou de uma reunião com o ex-presidente do TCU Raimundo Carreiro e a equipe técnica do tribunal

Conjur - Diálogos entre procuradores da finada "lava jato" apreendidos na "operação spoofing", aos quais a revista eletrônica Consultor Jurídico teve acesso, mostram que os integrantes do Ministério Público tentaram a adesão do Tribunal de Contas da União ao acordo de leniência firmado pela J&F no bojo da autoapelidada "operação Greenfield".
Nas conversas, um procurador identificado como Paulo conta que participou — com outra procuradora chamada Sara e Frederico Siqueira — de uma reunião com o ex-presidente do TCU Raimundo Carreiro e a equipe técnica do tribunal.
"De início, eles expuseram que receberam com um pouco de surpresa o ofício nosso para que eles aderissem ao acordo ou participassem das tratativas de eventual aditamento/repactuação, mas registraram o apreço que trabalho interinstitucional que nossa FT tem desenvolvido desde o início", diz Paulo — os diálogos são reproduzidos nesta reportagem em sua grafia original.
Ao relatar o encontro, o procurador deixou claros os laços entre a autodenominada força-tarefa e a organização não governamental Transparência Internacional, que já naquela época estava envolvida na negociação de "contrapartidas sociais" no acordo de leniência da J&F. "Chegando nossa vez de falar, fizemos uma narração geral de todo o histórico do acordo de leniência e de suas principais cláusulas, bem como explicamos a ideia dos projetos sociais como reparação social, ideia compartilhada pela Transparência Internacional."
O pacto entre a Transparência Internacional e os procuradores quase resultou na formação de uma fundação. A nova instituição teria um orçamento bilionário controlado pela ONG e tarefeiros, e seria supostamente dedicada a disseminar práticas de "combate à corrupção". A ConJur noticiou o caso em dezembro de 2020 e, na ocasião, o procurador-geral da República, Augusto Aras, bloqueou um repasse de R$ 270 milhões para a fundação gestada por MPF e TI. O arquiteto da operação seria o conselheiro da TI e assessor informal da "lava jato" Joaquim Falcão.

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