Comunidade do Açu vem sendo exposta ao Metano há mais de 3 anos
Risco à saúde e à qualidade de vida
Rio de Janeiro, 5 de dezembro de
2024 – Nos últimos três anos, a comunidade
que vive em torno do Porto do Açu tem enfrentado a exposição contínua ao metano,
gás altamente prejudicial ao meio ambiente, por se tratar de um dos gases
responsáveis pelo efeito estufa, que também afeta o bem-estar das pessoas – a
exposição prolongada coloca a saúde da população local em risco, gerando
preocupações sobre os impactos a longo prazo.
Algumas das principais fontes de emissão do gás metano são a
extração, a produção e a distribuição de combustíveis fósseis (gás e carvão),
como gás natural e petróleo. Essas fontes têm liberado quantidades
significativas de metano na atmosfera, atingindo os moradores da região, que
agora lidam com os efeitos adversos desse poluente na qualidade do ar.
“O impacto ambiental gerado pelo porto destruiu ecossistemas
regionais conhecidos, como a restinga, salinizou terras aráveis e acelerou
processos de erosão costeira”, destaca o biólogo e cientista polar Thièrs
Wilberguer.
Wilberguer, que também é botânico, lembra que a reestruturação do
porto, após as crises financeiras a nível global, levou a uma reconsideração de
suas operações. “Hoje, o porto se voltou para o setor de petróleo e gás, bem
como para a produção de energia, principalmente por meio de parques
termelétricas a gás, que é uma das principais fontes de emissão de metano”, diz
o cientsta.
A exposição contínua ao gás pode resultar na formação de ozônio
troposférico, que agrava problemas respiratórios como asma, bronquite e outras
doenças pulmonares. O aumento da temperatura e a maior incidência de ondas de
calor, causados pelas emissões de metano, também contribuem para o agravamento
de doenças cardiovasculares – a exposição prolongada a ambientes mais quentes e
poluídos aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais e infartos do
miocárdio, além de diminuir a qualidade de vida da população local.
Bernadete Vasconcellos, diretora do Instituto Visão Socioambiental
(IVS), fala sobre a urgência de respostas rápidas e eficazes para proteger a
saúde e o bem-estar da população, além de medidas emergenciais para reduzir os
níveis de metano na área. “É fundamental que o governo e as autoridades locais
intensifiquem o monitoramento da qualidade do ar e ofereçam apoio médico
contínuo à população afetada. É preciso agir com urgência para reduzir a
poluição por metano e mitigar os impactos à saúde, garantindo um futuro mais
seguro e saudável para a comunidade.”, finaliza.

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