09/12/2024

Comunidade do Açu vem sendo exposta ao Metano há mais de 3 anos



Comunidade do Açu vem sendo exposta ao Metano há mais de 3 anos

 

Risco à saúde e à qualidade de vida


Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 2024 – Nos últimos três anos, a comunidade que vive em torno do Porto do Açu tem enfrentado a exposição contínua ao metano, gás altamente prejudicial ao meio ambiente, por se tratar de um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, que também afeta o bem-estar das pessoas – a exposição prolongada coloca a saúde da população local em risco, gerando preocupações sobre os impactos a longo prazo.

 

Algumas das principais fontes de emissão do gás metano são a extração, a produção e a distribuição de combustíveis fósseis (gás e carvão), como gás natural e petróleo. Essas fontes têm liberado quantidades significativas de metano na atmosfera, atingindo os moradores da região, que agora lidam com os efeitos adversos desse poluente na qualidade do ar.

 

“O impacto ambiental gerado pelo porto destruiu ecossistemas regionais conhecidos, como a restinga, salinizou terras aráveis e acelerou processos de erosão costeira”, destaca o biólogo e cientista polar Thièrs Wilberguer.

 

Wilberguer, que também é botânico, lembra que a reestruturação do porto, após as crises financeiras a nível global, levou a uma reconsideração de suas operações. “Hoje, o porto se voltou para o setor de petróleo e gás, bem como para a produção de energia, principalmente por meio de parques termelétricas a gás, que é uma das principais fontes de emissão de metano”, diz o cientsta.

 

A exposição contínua ao gás pode resultar na formação de ozônio troposférico, que agrava problemas respiratórios como asma, bronquite e outras doenças pulmonares. O aumento da temperatura e a maior incidência de ondas de calor, causados pelas emissões de metano, também contribuem para o agravamento de doenças cardiovasculares – a exposição prolongada a ambientes mais quentes e poluídos aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais e infartos do miocárdio, além de diminuir a qualidade de vida da população local.

 

Bernadete Vasconcellos, diretora do Instituto Visão Socioambiental (IVS), fala sobre a urgência de respostas rápidas e eficazes para proteger a saúde e o bem-estar da população, além de medidas emergenciais para reduzir os níveis de metano na área. “É fundamental que o governo e as autoridades locais intensifiquem o monitoramento da qualidade do ar e ofereçam apoio médico contínuo à população afetada. É preciso agir com urgência para reduzir a poluição por metano e mitigar os impactos à saúde, garantindo um futuro mais seguro e saudável para a comunidade.”, finaliza.

 

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