6 - AÇÕES VOLTADAS PARA A
EDUCAÇÃO INCLUSIVA SÃO
NEGLIGENCIADAS
As políticas voltadas à educação inclusiva para os
alunos com deficiências e altas habilidades são tratadas
de forma superficial no Currículo da Cidade, tendo em
vista que a atual estrutura dos Centros de Formação e
Acompanhamento à Inclusão (Cefais) e dos Núcleos de
Apoio e Acompanhamento para Aprendizagem (Naapas)
é insuficiente para atender à rede municipal de ensino.
Ao observamos o cotidiano das Escolas Municipais de
Educação Bilíngue para Surdos (Emebss), por exemplo,
o documento não aponta como estrutura necessária a
presença de guia intérprete de Libras.
A afirmação de que o professor precisa ser um “pensador criativo” para ensinar a todos desconsidera as
múltiplas deficiências e suas necessidades específicas.
Tais demandas exigem recursos materiais, humanos e
de formação dos educadores, para garantir o pleno desenvolvimento dos educandos.
É urgente a necessidade de correções sobre este
importante tema e a rotina escolar demonstra que temos
um desafio hercúleo para reparar as aprendizagens desta geração e equacionar o currículo para os que chegam
ao ensino fundamental.
Conforme debatido e aprovado em nossos congressos, o SINPEEM defende a manutenção e ampliação do
número de Emebss na rede municipal de ensino e luta
para que todas as unidades tenham política educacional,
estrutura, logística, recursos humanos com formação
adequada e necessária para o atendimento pleno aos alunos com deficiências. Defendemos a criação do cargo de
Paee como forma de garantir atendimento educacional
especializado nos CEIs, Emeis, Cemeis, Emefs, Emefms
e Emebss.
A SME deve garantir condições de trabalho adequadas aos profissionais com deficiência, trabalhar para eliminar barreiras, garantir acessibilidade nas formações
continuadas, seminários, congressos e reuniões. Também é importante que o trabalho com os estudantes nas
unidades escolares seja qualificado, implementando as
salas de recursos multifuncionais (SRMs), com designação de professores habilitados e integrantes da carreira,
e que haja investimento na formação de todos os profissionais, a fim de qualificar as práticas docentes e o processo de ensino e aprendizagem.
6.1 - Defendemos:
a) ampliação do módulo de professor de apoio e
acompanhamento à inclusão (Paais) nos Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefais);
b) instalação de salas de recursos multifuncionais
(SRM) em todas as Emefs, Emefms e Emebss;
c) garantia da atuação de Paee na educação infantil;
d) redução do número de alunos por sala a cada
aluno com deficiência ou transtorno global de
desenvolvimento, altas habilidades/superdotação ou TEA;
e) garantia de prioridade na redução de matrículas
em salas com crianças com transtorno do espectro autista (TEA);
f) garantia de formação, visitação e maior suporte
pelos profissionais dos Cefais e do Núcleo de
Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem
(Naapa) nas unidades escolares;
g) ampliação da rede escolar, considerando a infraestrutura necessária ao trabalho pedagógico
de qualidade, com acompanhamento especializado junto à equipe escolar, contemplando
desde a construção física – com adaptações
adequadas às necessidades dos alunos com
deficiência – até os espaços especializados de
atividades artístico-culturais, esportivos, recreativos e a adequação de equipamentos e espaços específicos para o trabalho de apoio aos alunos com dificuldade de aprendizagem;
h) ampliação dos projetos de atendimento aos alunos com deficiência, realizados por professores capacitados e/ou especializados;
i) criação de um programa especial de formação
e capacitação para os profissionais de educação voltado para o trabalho com alunos com
deficiência e/ou dificuldade de aprendizagem;
j) intercâmbios com outras secretarias, principalmente a de Saúde, visando qualificação no atendimento aos alunos com deficiência;
k) criação de centros públicos estatais de apoio
interdisciplinar para estudantes da rede pública
municipal com deficiência, transtornos globais
de desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, bem como às suas famílias e às escolas;
l) disponibilização de livros didáticos ou não, mídia com interpretação em Libras, escrita em braille com caracteres ampliados para alunos com
deficiência visuais e para os de visão subnormal do ensino básico;
m) garantir transporte escolar com adaptações necessárias aos alunos que apresentem dificuldades de locomoção, inclusive para os que necessitam de atendimento em salas de recursos
multifuncionais (SRMs) no contraturno;
n) inclusão nos currículos de formação de professores de disciplinas específicas para capacitação ao atendimento dos alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou
altas habilidades/ superdotação;
o) realização de encontros para trocas de experiências entre os profissionais habilitados que atuam
com alunos com deficiência, transtornos globais
de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação e os demais profissionais da rede regular;
p) exigir da SME todas as condições para que as
Emebss e as demais unidades da rede possam
atender aos alunos com deficiência;
q) condições físicas, materiais e tecnológicas adequadas: banheiros adaptados, corrimãos, rampas, elevadores, máquinas de braile, livros em
braile, sinalizações luminosas para surdos, sinalizações táteis e sonoras para cegos, materiais pedagógicos de estimulação, redução do
número de aluno por sala de acordo com a deficiência incluída;
r) formação dos diretores, assistentes, coordenadores e profissionais do Quadro de Apoio que
trabalham nas Emebss, para que aprendam a
Língua Brasileira de Sinais (Libras), que deve
ser do domínio de todos os funcionários destas
unidades;
s) que para atuarem nas Emebss, os funcionários
tenham cursos de Libras oferecidos pela SME,
preferencialmente em formação permanente em
horário de trabalho, com carga horária mínima
de 120 horas;
t) articulação das políticas públicas intersetoriais,
com instrutores de Libras, preferencialmente
surdos;
u) participação das Secretarias Municipais de Saúde, Educação, Esportes, Meio Ambiente e Assistência Social no desenvolvimento de programas de apoio às crianças e aos adolescentes
com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação;
v) implementação, pela SME, da oferta de aulas de
Libras para pais e familiares;
w) garantia de cursos de especialização em educação especial/inclusiva em áreas diversas: deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação para os
profissionais de educação;
x) ampliação do módulo de profissionais de educação com formação necessária para atuarem
com alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/
superdotação;
y) manutenção das atuais Emebss;
z) garantia de grade diferenciada para as Emebss,
ampliação de libras na educação infantil, ensino
fundamental I e II e inclusão da língua inglesa
(instrumental) no ensino fundamental II;
aa) ampliação do atendimento, com estagiários e
auxiliares de vida escolar (AVEs) em todas as
unidades da rede municipal de ensino;
bb) garantia de um estagiário específico para a área
de Educação Física, principalmente para o ensino fundamental I e II, tendo em vista o aumento
de crianças com deficiência e TEA (média de três
por turma) e a necessidade constante de mediar conflitos e de incluir todos nas atividades
escolares.

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