A gestão Tarcísio-Derrite é um desastre. Desastre que exigiu de ambos algumas medidas, como o recuo na tentativa de suprimir a política de câmeras corporais, enquanto dirigem para a tropa mensagem de tolerância com abusos e as sucessivas notas evasivas e complacentes com o elevado quadro de violência policial. O fato é que a dupla vendeu o tempo todo o uso da força como remédio para o combate ao aumento da criminalidade, incentivando os policiais a agirem com truculência. Mas o resultado é exatamente o oposto, com o crescimento exponencial da criminalidade violenta
Homicídios dolosos crescem 40%
Só no primeiro quadrimestre de 2025, os números de homicídios dolosos subiram 40% em relação a março e 15% em relação ao mesmo período de 2024. Os números se repetem no caso de estupros, furtos e roubos e latrocínios. Tarcísio e Derrite são os responsáveis diretos pela desorganização das polícias, pelo aumento da ineficiência, intensificação da violência, indisciplina e pela preocupante penetração do crime organizado nas corporações.
É assustador o silêncio do governador sobre os 16 policiais presos pela justiça, este ano, pela participação no assassinato de um operador do PCC, à luz do dia, no Aeroporto de Guarulhos e vários policiais civis e militares indiciados. E o “não tô nem aí” de Tarcísio diante das atrocidades cometidas pela Operação Escudo na Baixada Santista, que resultou na execução de 84 pessoas?
Em meio ao caos da segurança pública, vem à tona a vida de glamour que Derrite passou a ostentar. Denúncias dão conta que o secretário está construindo mansão de R$4 milhões em condomínio de milionários, algo incompatível com os rendimentos de um oficial da PM. Mais grave ainda é o fato de o pagamento e administração da obra serem realizados por um empresário “amigo” , sabe-se lá por quais interesses ou troca de favores. A liderança do PT na Alesp oficiou o Ministério Pùblico Estadual pedindo abertura de investigação sobre os fatos.
Esvaziamento da polícia civil
Outra medida danosa da parceria Tarcísio/Derrite é o esvaziamento das funções da polícia civil, que está sucateada, desvalorizada em seu papel, infraestrutura e salários. A dupla resolveu que algumas dessas funções podem ser assumidas pela PM, em contradição com a Constituição Estadual, gerando aumento da tensão entre as duas polícias. O resultado é mais desarticulação e ineficiência no combate ao crime, uma receita infalível para o descontrole e crises permanentes na segurança pública.
Afastamentos em alta
A política de segurança de Derrite/Tarcísio também faz muitas vítimas entre os soldados da corporação. Os afastamentos de PMs por causas psiquiátricas totalizaram 653 casos em 2024 e já estão em 206 registros só no primeiro trimestre deste ano, projetando um cenário de mais 800 em 2025. Ela tem colocado também em risco os policiais penais, que possuem mais de 1.300 coletes balísticos vencidos em uso nas unidades prisionais do Estado
No meio disso tudo, Derrite prepara sua saída da Secretaria em dezembro, alegando interesse em debater a PEC da Segurança Pública no Congresso, apresentada pelo governo Lula.
A PEC propõe a centralização e compartilhamento de informações entre as várias polícias para o enfrentamento do crime organizado, que não respeita fronteiras geográficas e se internacionaliza nos seus vários negócios. Além disso, tem como diretriz a coordenação de trabalhos entre os órgãos de segurança federais, estaduais e municipais, o que pode gerar ações planejadas nacional e regionalmente para enfrentar uma criminalidade que se sofistica. Nada disso tem afinidade com a política caótica e perigosa do governador e seu secretário para a segurança dos cidadãos de São Paulo.

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