Além de importar 30% de diesel, Brasil poderá ter dificuldades para novos mercados de exportação para seus combustíveis
Taxação de Trump
prejudica sobretudo comércio de derivados de petróleo, alerta FUP
Além de importar 30% de
diesel, Brasil poderá ter dificuldades para novos mercados de exportação para
seus combustíveis
Rio
de Janeiro, 14 de julho de 2025 - A Federação Única dos Petroleiros (FUP)
alerta para os riscos da decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas sobre
produtos brasileiros, com possível impacto sobretudo na importação de diesel -
que somos dependentes em cerca de 30% da nossa demanda e a Petrobrás é a grande
importadora. As medidas anunciadas podem ter impactos relevantes para a empresa
que, diante de possíveis barreiras comerciais, teria facilidade em redirecionar
sua exportação de petróleo bruto para outros mercados, mas enfrentaria maior dificuldade
para encontrar destinos alternativos para seus derivados.
Como consequência, a medida pode
aumentar a oferta no mercado interno. “No primeiro trimestre de 2025 a
Petrobrás exportou para os EUA apenas 4% (em média 22 mil barris/dia) do total
de petróleo exportado, esse volume vem apresentando queda em relação ao mesmo
período do ano anterior e também no trimestre anterior”, destaca Deyvid
Bacelar, coordenador-geral da FUP. A China ficou com 36% do total de óleo
exportado pela estatal brasileira, a Europa com 27% e a Ásia (sem a China) com
33%.
Em relação aos derivados de
petróleo, a Petrobrás exportou 37% do total para os EUA (média de 17 mil
barris/dia) e vinha num movimento crescente de vendas para o mercado
norte-americano. Cingapura ficou com 53%
dos derivados exportados pela Petrobrás. “Caso a taxação avance, a realocação
de mercados para derivados será mais complexa e pode afetar receitas, empregos
e logística”, pontua Cloviomar Cararine, economista do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP).
Existe a possibilidade de os
combustíveis minerais brasileiros continuarem isentos de tarifas, dado o
interesse estratégico dos Estados Unidos e a ausência de menção específica na
comunicação oficial. No entanto, a FUP também chama atenção para o risco de
retaliação brasileira, que pode pressionar o preço do diesel comprado dos EUA -
30% do consumo interno do produto é importado, com impacto direto sobre o
transporte e a inflação.
A Federação defende uma política
energética soberana, com foco na ampliação da produção de derivados, com a
retomada do refino, segurança no abastecimento e valorização do trabalho. O
Brasil não pode seguir vulnerável a decisões unilaterais de potências
estrangeiras.

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