19/01/2026

Master é 'abacaxi' da gestão anterior e o BC está descascando agora, diz Haddad

 



Ministro da Fazenda afirmou em entrevista que o banco, investigado por corrupção, cresceu na gestão 2019-2022 e que, assim como a criação das fintechs sem fiscalização adequada, é problema que o atual BC herdou

Agência Gov
19/01/2026 15:29
Master é 'abacaxi' da gestão anterior e o BC está descascando agora, diz Haddad
reprodução

Em entrevista ao portal UOL nesta segunda (19/1). o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, e disse que apoiaria novamente sua nomeação, se necessário fosse. Haddad disse que a crítica à alta taxa de juros é correta, mas que o processo de transição no BC ainda está em curso, em virtude dos problemas herdados da gestão anterior, de Roberto Campos Neto. Uma das heranças negativas, segundo o ministro, é o escândalo do banco Master.

"Galípolo é uma pessoa em quem eu confio e é uma pessoa que eu sempre insisti em dizer - você vai pegar várias entrevistas minhas em que eu disse que ele herdou um problema que só vai ser conhecido depois. Disse isso várias vezes", afirmou Haddad.

Ao ser questionado sobre qual o problema, o ministro respondeu: "Vários. Eu acredito que ele herdou um problema que é o Banco Master. Todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não cresceu na gestão atual. Nesse ano que o Galípolo descascou o abacaxi. E descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final do processo, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve que tomar. O Galípolo herdou esse enorme problema", disse.

O banco Master era uma corretora de valores fundada nos anos 1970, mas tornou-se banco apenas em 2021, após reestruturação societária, com participação de Daniel Vorcaro, atualmente investigado por corrupção pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República.

Fintechs e o boato do PIX

Haddad falou também das fintechs. Segundo o ministro, a figura jurídica das fintechs, assim como o banco Master, é criação ocorrida no governo anterior. E que novas investigações devem revelar participação de "gente graúda da oposição" em operações ilegais de algumas dessas instituições. Na opinião dele, o temor de novas revelações pode estar por trás das fake news mais recentes sobre as intenções do Governo em taxar o PIX.

"O Banco Central inventou essa figura [as fintechs] e disse, 'olha, só vou começar a fiscalizar vocês em 2029. Isso foi lá atrás, na gestão anterior. Está lá o PCC agora", afirmou Haddad.

O ministro recordou que, na primeira tentativa do atual Governo para estabelecer fiscalização sobre as fintechs, setores da oposição criaram o boato de que o PIX seria taxado.

"Está aí o pepino todo, que até a oposição explorou quando a gente quis trazer para dentro da fiscalização da Receita Federal, começaram a inventar aquela coisa de taxação de PIX, que não tinha nada a ver. E voltaram agora, inclusive [com o boato do PIX], de novo, para desviar a atenção, porque provavelmente nós vamos pegar gente graúda da oposição. Porque, senão, a oposição não estaria fazendo isso. Por que a oposição está fazendo isso? Está com medo do quê? Por que eles estão com medo da fiscalização? Por quê? Qual é o sinal que eles estão dando? Pelo jeito, tem muita gente preocupada com o que nós estamos fazendo", completou Haddad.

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