20/02/2026

Alessandro Soares: recesso escolar é um direito, não um benefício

 


Por Alessandro Soares**

O ano letivo já começou na maioria das escolas, mas é fundamental reforçar a importância do recesso como parte essencial da valorização dos profissionais da educação. Esse período de pausa não é privilégio, é necessidade. Ele garante recuperação física e emocional aos docentes, funcionários e estudantes, especialmente diante dos desafios cada vez mais complexos de conduzir uma sala de aula nos dias atuais. Quando há tempo para descanso e reorganização, há também mais qualidade no retorno às atividades e no processo de ensino-aprendizagem.

O recesso é um direito básico dos professores, e não deve ser romantizado como um momento de férias ou reparação das energias. Existem profissionais que sofrem dificuldades absurdas ao longo do ano, simplesmente porque algumas escolas não oferecem o mínimo de infraestrutura para exercer um bom trabalho. 

Salas de aula com mais de 40 alunos, calor, barulho, baixa remuneração, desrespeito, jornada de trabalho exaustiva. Estes são só alguns problemas reais que diminuem o interesse pela profissão e pioram a qualidade do ensino.

Exemplificando com dados o desgaste gerado dentro das escolas, um relatório elaborado conjuntamente por Itaú Social, Associação D3e e Fundação Carlos Chagas analisou 10 redes estaduais de ensino de diferentes municípios brasileiros.

Os dados indicam que os docentes da rede pública chegam a assumir 17 turmas em uma única semana, com uma jornada de trabalho que pode atingir 60 horas.

Estes números condizem com o recente levantamento do Centro do Professorado Paulista que apontou o afastamento de 25.699 professores do estado de São Paulo entre janeiro e setembro de 2025, devido a transtornos mentais e comportamentais. Não devemos ignorar essa triste realidade no período de férias. 

Reafirmo que o recesso é um direito que deve ser valorizado, pela luta do magistério. O descanso tem um papel fundamental na reorganização das atividades pedagógicas e fortalecimento da carreira. Quando o professor tira um tempo para si, o ambiente escolar também é renovado e os alunos sentem este impacto.

Por outro lado, este período não pode ser usado como compensação a uma jornada tão exaustiva e que comprovadamente pode trazer riscos à saúde física e mental dos funcionários. Precisamos continuar fiscalizando as escolas e discutir os problemas recorrentes, que são graves. 

Pensar na qualidade de vida dos professores é um dever da sociedade e não se resume a um mês de férias. 

**Alessandro Soares é advogado, pedagogo e Diretor Geral Administrativo do Centro do Professorado Paulista (CPP). É também o idealizador da petição que propõe a redução da jornada de trabalho dos professores para 30 horas semanais, sem diminuição salarial. 

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