08/02/2026

Equipes de Saúde da Família e das UBS's ajudam na busca pela plena segurança alimentar

 



Desde novembro de 2023, equipes do SUS dialogam com famílias de milhares de cidades brasileiras para detectar a qualidade da dieta nos domicílios. Os dados são compartilhados e ajudam a definir estratégias para erradicar de vez o risco de insegurança alimentar

Agência Gov | via MDS
06/02/2026 16:14
Equipes de Saúde da Família e das UBS's ajudam na busca pela plena segurança alimentar
Roberta Aline/MDS
Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social, participa de uma das visitas domiciliares

Desde novembro de 2023, como resultado de ação compartilhada entre ministérios do Governo do Brasil, equipes de Saúde da Família e também as equipes da Unidades Básicas de Saúde (UBS), da rede SUS, têm investigado o acesso das famílias brasileiras a dietas alimentares e a quantidade e qualidade desses alimentos.

O objetivo desse trabalho é, em diálogo com as pessoas, identificar o risco de insegurança alimentar e, com base nesse diagnóstico, propor ações específicas para evitar ou superar esse risco.

Para tanto, essas equipes aplicam a chamada Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), composta de duas perguntas:

a) Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?
b) Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha, por que o dinheiro acabou?

Uma pessoa é classificada em situação de risco de insegurança alimentar quando responde positivamente às duas perguntas. Além disso, sempre que uma pessoa do domicílio estiver em situação de risco de insegurança alimentar pela TRIA – isto é, responder positivamente às duas perguntas –, todas as pessoas do domicílio são classificadas em situação de risco de insegurança alimentar. Isto significa que o domicílio será identificado como “em risco para insegurança alimentar” sempre que ao menos um membro
do domicílio com 18 anos ou mais responda positivamente às perguntas da TRIA.

Com essa abordagem feita por equipes de saúde, a estratégia de combate à fome do Governo Lula, após ter conseguido retirar novamente o País do Mapa da Fome da ONU, acentua, assim, ações mais pormenorizadas, como se aproximasse o quadro com uma lupa, e dessa forma refinasse os métodos usados para garantir a plena segurança alimentar da população.

Integração dos sistemas

Segundo relatório editado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a TRIA faz parte da estratégia de integração do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) para o combate à fome, como instrumento de identificação do risco de insegurança alimentar nos domicílios brasileiros.

Os dados gerados a partir desse instrumento, segundo o MDS, oferecem um importante subsídio para os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) acompanharem a incidência de risco de insegurança alimentar e para os serviços do SUAS monitorarem a situação de insegurança alimentar entre famílias que acessam os benefícios de transferência de renda e entre famílias potencialmente elegíveis para acessá-los.

Até o início de 2025, a aplicação da TRIA - o que significa a visita e o acompanhamento das equipes de Saúde da Família e visitas regulares a UBS's - tem se ampliado, chegando a 5,4% dos municípios nacionais.

Mais de 4 mil cidades

Considerando os dados acumulados de novembro de 2023 a maio de 2025,

• 20,6 milhões de domicílios no país responderam, ao menos uma vez, à TRIA; este número corresponde a 28,4% de todos os domicílios particulares permanentes contabilizados no Censo Demográfico de 2022;
• Em 4.080 dos 5.570 municípios do país, um quarto ou mais dos domicílios tinham respondido à TRIA ao menos uma vez entre novembro de 2023 e maio de 2025;

A partir de julho de 2024, no âmbito do Projeto de Integração de Dados desenvolvido entre o Ministério da Saúde e o MDS, os dados do TRIA passaram a ser regularmente compatibilizados com a base do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

Eficácia do Bolsa Família

Um dos dados coletados a partir da TRIA mostra o impacto do Bolsa Família para a diminuição do risco de fome nos domicílios beneficiados. O estudo indica que a entrada no programa aumenta em 11,2% a chance de a família sair da insegurança alimentar (leve, moderada ou grave), e que essa probabilidade cresce 3,2% a cada mês de permanência no Bolsa Família.

Acesse o relatório aqui

Os resultados mostram ainda que a proporção de famílias que superaram o risco de insegurança alimentar de qualquer nível é maior entre as beneficiárias do programa. Entre as famílias beneficiárias, 16% conseguiram sair desta situação, enquanto entre as não beneficiárias esse percentual foi de 13%.

De acordo com a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, o monitoramento da insegurança alimentar no país amplia o uso de evidências científicas na formulação e no aprimoramento das políticas públicas de combate à fome.

O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, o que quer dizer que temos menos de 2,5% da população em situação de subalimentação. Com o fortalecimento da produção de informações nos territórios, sobre o risco de insegurança alimentar e nutricional, conseguiremos alcançar quem ainda se encontra nesta situação”, avaliou Burity.

Para o estudo, foi considerado um conjunto de 197 mil domicílios que estavam em situação de insegurança alimentar no primeiro registro, em julho de 2024, e que responderam à triagem mais de uma vez até fevereiro de 2025.

Cobertura da TRIA cresce 86,2%

Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, a cobertura média da aplicação da Tria nos municípios passou de 2,9% para 5,4% dos domicílios, representando um crescimento de 86,2% no período . 

A gente tem aprimorado a forma de identificar essas pessoas. Então, hoje, pelo SUS, a gente identifica famílias em situação de risco de insegurança alimentar", apontou Valéria Burity.

Em julho de 2024, metade dos municípios brasileiros apresentava, no mínimo, 1,2% de cobertura; em fevereiro de 2025, esse percentual mínimo subiu para 2,7%. No mesmo intervalo, o número de municípios sem registros válidos da Tria caiu de 1.397 para 907.

O crescimento da cobertura ocorreu em todas as regiões, com maiores percentuais no Nordeste (8,2% dos domicílios) e no Norte (8%), evidenciando o potencial do instrumento para produzir informações territorializadas sobre o risco de insegurança alimentar.

A partir dessa identificação, os dados de saúde destas famílias são integrados à base do Cadastro Único. "A gente tem a marcação no CadÚnico das famílias em situação de risco de insegurança alimentar e, a partir dessa identificação, a gente inclui essas pessoas em políticas públicas do Governo do Brasil", prosseguiu a secretária do MDS.

A integração entre o SUS, SUAS e Sisan está desenhada no Protocolo Brasil Sem Fomeque está com adesão aberta aos 500 municípios com mais famílias em risco de insegurança alimentar. "A gente também está fazendo uma mobilização e apoiando tecnicamente os estados e municípios, para que eles também identifiquem essas pessoas, consigam levantar quais os programas locais que elas podem ser incluídas, além de organizarem um fluxo de atendimento e de acompanhamento integrado dessas pessoas", detalhou a secretária do MDS.

Por MDS

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