05/02/2026

Rombo do Banco Master será investigado até as últimas consequências, afirma Lula

 



Presidente afirma que governo está orientado a ir a fundo para desvendar maior rombo bancário do País: “Quem estiver metido nisso vai ter de pagar o preço da irresponsabilidade”

Paulo Donizetti de Souza | Agência Gov
05/02/2026 13:09
Rombo do Banco Master será investigado até as últimas consequências, afirma Lula
Reprodução/TV UOL
Lula: "O dado concreto é que a ordem é a seguinte: vamos investigar, para nunca mais isso se repita”

O presidente Lula afirmou que o Brasil está diante de uma “chance real de pegar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro”, ao falar sobre o rombo do Banco Master. “É uma chance extraordinária. Não importa se envolve político, partido, governador, partido, bancos”, disse, em entrevista a Daniela Lima, na TV UOL. “Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade e dar um rombo, talvez o maior rombo econômico da história desse país.”]

Lula defende que as instituições da República precisam estar mobilizadas para “mostrar ao povo quem são os magnatas, que muitas vezes que ficam pintando na imprensa e dando palpites nas coisas de governo” e que podem estar atrás do rombo que traz ameaças à economia brasileira.

Não sei se tem partido político envolvido, não sei que governador está envolvido, se tem deputado, senador, ou prefeito, se tem mais empresários. O dado concreto é que a ordem é a seguinte: vamos investigar às últimas consequências, para nunca mais isso se repita”, ressaltou Lula.

Questionado sobre ter recebido o banqueiro do Banco Master, André Vorcaro, em seu gabinete, Lula afirmou que já recebeu muitos banqueiros, por ser seu papel, e que isso não significa proximidade, ao contrário, conforme explicou.

“Já recebi, neste mandato, Itaú, Bradesco, Santander, BTG, e quando não tinha uma agenda marcada comigo. Quando o Guido (Mantega) veio com o André Vorcaro a Brasília, eu chamei o (Gabriel) Galipolo (presidente do Banco Central), acho que o Rui Costa, que é da Bahia, que conhecia ele. E ele (Vorcaro) então me contou da ‘perseguição’ que ele estaria sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele, que não sei das quantas”, relatou.

E prosseguiu afirmando que disse ao banqueiro que não haverá posição política pró ou contra o Banco Master, mas uma investigação técnica feita pelo Banco Central. "A política não entrará na investigação, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber o que há de errado. Se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem, e é isso que está sendo feito.”

Em seguida, o presidente afirma ter convocado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, para que relatasse à Procuradoria-Geral da República, o que pensavam da situação do Banco Master, “porque nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção”.

Lula defendeu ainda o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que foi alvo de noticiário persecutório na imprensa pelo fato de seu escritório advogar na defesa no banco. “O Lewandowski é um dos maiores juristas que esse país já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade. “Ele tinha deixado a Suprema Corte quando ele fez contrato para trabalhar no banco, quando eu o convidei para vir, ele saiu, não tem problema nenhum”, observou.

O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo nesse negócio”, disse. “Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, ou o Amapá, colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Quem está envolvido?”

Combate ao crime organizado

O caso do Banco Master foi utilizado pelo presidente como exemplo para citar o empenho do Governo do Brasil no combate ao crime organizado. Ao defender o emprego da inteligência e da ação integrada entre forças de segurança, federal e locais, e órgão de Justiça, Lula lembrou o impacto de operações, como Carbono Oculto, com apreensão de combustíveis e descoberta de bilhões de reais em fundos aplicados por facções em fintechs, não rastreáveis.

Citou os objetivos de seu governo de realizar ações integradas de inteligência inclusive com órgãos internacionais. E mencionou recente conversa telefônica com o presidente, na qual, além de tratar de assuntos como a soberania da Venezuela e a paz em Gaza, defendeu parcerias no enfrentamento ao crime organizado.

“Quando eu conversei com o Trump, eu falei: ‘Você está disposto a combater o crime organizado?’ Mandei para o Trump o material preparado pela Receita Federal, Ministério da Fazenda, Política Federal. Mandei mandei a relação de empresas (com ligação com facções), dos cinco navios que estão apreendidos aqui com 250 mil milhões de litros de gasolina”, descreveu.

E disse ter exposto ao presidente dos Estados Unidos: “São 200 pessoas que moram em Miami, se quiser combater o crime organizado, pode começar a me entregar esses. Mandei fotografia da casa e endereço”, revelou

E agora, quando eu for aos Estados Unidos (em março), eu quero levar o ministro da Justiça, o diretor-geral da Política Federal, o secretário da Receita Federal, o procurador-geral da República. Se quiser combater o crime organizado e o narcotráfico, o Brasil está aqui, na linha de frente.”

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