20/03/2026

Doze cidades campeãs de royalties têm condição de vida abaixo da média


 Agência Brasil

Estudo analisa como recursos do petróleo impactam qualidade de vida
Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 19/03/2026 - 17:57
Rio de Janeiro
Plataforma P-50, localizada no campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos (RJ)
© Stéferson Faria / Agência Petrobras
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Das 50 cidades brasileiras campeãs de recebimento de royalties oriundos da produção de petróleo, 12 apresentam indicadores sociais abaixo da média no país. Isso significa que essas cidades obtiveram Índice de Condições de Vida (ICV) abaixo de 0,485, patamar médio das cidades brasileiras. A escala vai de zero a um, sendo que quanto maior, melhor.

A constatação faz parte do estudo Pesquisa Petróleo & Condições de Vida, divulgada pela Agenda Pública, organização da sociedade civil que atua no fortalecimento da gestão pública e promoção do desenvolvimento sustentável.

Para chegar ao ranking, os pesquisadores buscaram informações sobre as 50 cidades que mais recebem royalties, como são chamadas as compensações financeiras que as empresas de petróleo pagam pela exploração do mineral. Os dados são referentes a 2024.

Em seguida, o estudo atribuiu notas a condições ostentadas por esses municípios em oito áreas: saúde, educação, infraestrutura, gestão, desenvolvimento econômico, finanças públicas, proteção social e meio ambiente.

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Com o cruzamento de informações de receitas com royalties e os indicadores socioeconômicos municipais, as cidades de Linhares (ES), Araucária (PR) e Resende (RJ) lideram o ranking de qualidade de vida, mesmo não figurando entre os 15 municípios que mais receberam a compensação.

As cidades que recebem esses recursos são definidas por critérios geográficos, levando em consideração onde estão localizados os reservatórios naturais (em caso de exploração no mar, cidades com litoral defronte) ou estruturas como oleodutos, gasodutos, terminais marítimos e refinarias. Ou seja, são localidadess que sofrem impactos diretos da cadeia do petróleo. Como o petróleo é um recurso natural finito, os royalties são vistos como uma forma de o poder público se preparar para a potencial queda de arrecadação quando a atividade econômica se extinguir.

Campeãs de royalties

O Rio de Janeiro, estado cujo litoral abriga as bacias petrolíferas de Campos e Santos ─ recheadas com reservatórios do pré-sal ─ conta com o maior número de cidades que recebem a compensação financeira paga pela indústria do petróleo. São 37 municípios fluminenses contemplados, seguido por São Paulo (6) e Espírito Santo (4).

Entre as 50 cidades campeãs no recebimento dos royalties, apenas três não ficam na região Sudeste: Pilar (AL), Araucária (PR) e Coari (AM). Pilar tem reservatórios terrestres de óleo e gás; Araucária sedia a Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), da Petrobras; e Coari, no coração da Amazônia, é onde fica o reservatório de petróleo e gás Urucu, explorado pela estatal.

Os 15 municípios que mais recebem receitas do petróleo:

 


Maricá, no Rio de Janeiro, foi a cidade com maior arrecadação de royalties do petróleo - Tânia Rêgo/Agência Brasil

1. Maricá (RJ): R$ 2,7 bilhões

2. Saquarema (RJ): R$ 2 bilhões

3. Macaé (RJ): R$ 1,4 bilhão

4. Niterói (RJ): R$ 964,8 milhões

5. Campos dos Goytacazes (RJ): R$ 667,4 milhões

6. Arraial do Cabo (RJ): R$ 546,8 milhões

7. Araruama (RJ): R$ 525,5 milhões

8. Cabo Frio (RJ): R$ 374,5 milhões

9. São Sebastião (SP): R$ 341,1 milhões

10. Rio de Janeiro (RJ): R$ 314,5 milhões

11. São João da Barra (RJ): R$ 295,7 milhões

12. Ilhabela (SP): R$ 279,1 milhões

13. Angra dos Reis (RJ): R$ 245,6 milhões

14. Casimiro de Abreu (RJ): R$ 224,7 milhões

15. Paraty (RJ): R$ 224,4 milhões

Os valores foram apurados com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador da indústria de petróleo, que arrecada e redivide os recursos.

Indicadores socioeconômicos

Linhares, no litoral norte capixaba, é líder entre as cidades com melhor qualidade de vida, com ICV 0,643. A cidade tem exploração de petróleo e gás em terra e é ponto estratégico próximo a campos produtores no mar. A média dos municípios brasileiros ficou em 0,485.  

Na lista dos 15 maiores recebedores de royalties do petróleo, apenas sete figuram entre os 15 municípios brasileiros com ICV mais alto:

  •  Ilhabela (4º melhor)
  •  Macaé (7º)
  •  Niterói (8º)
  •  Maricá (11º)
  •  Rio de Janeiro (12º)
  •  São Sebastião (14º)
  •  Angra dos Reis (15º)

Saquarema, segunda cidade que mais recebeu dinheiro de royalties é apenas a 16ª no ranking de qualidade de vida.

Confira a lista dos municípios com maiores ICV:

  • Linhares (ES): 0,643
  • Araucária (PR): 0,638
  • Resende (RJ): 0,625
  • Ilhabela (SP): 0,625
  • Volta Redonda (RJ): 0,620
  • Caraguatatuba (SP): 0,603
  • Macaé (RJ): 0,602
  • Niterói (RJ): 0,596
  • Presidente Kennedy (ES): 0,591
  • Quissamã (RJ): 0,591

O levantamento destaca ainda que 12 cidades, mesmo com o recebimento de royalties, aparecem com ICV abaixo da média do país. São elas:

  • Paraty (RJ): 0,484
  • Mangaratiba (RJ): 0,478
  • São Gonçalo (RJ): 0,475
  • Campos dos Goytacazes (RJ): 0,455
  • Japeri (RJ): 0,453
  • Silva Jardim (RJ): 0,451
  • Guapimirim (RJ): 0,448
  • Itaboraí (RJ): 0,443
  • Duque de Caxias (RJ): 0,430
  • Magé (RJ): 0,417
  • Coari (AM): 0,377
  • São Francisco de Itabapoana (RJ): 0,351

 



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