
O Sindsep, juntamente com o Fórum das Entidades, realizou na tarde desta segunda-feira (16), o primeiro ato/assembleia da Campanha Salarial 2026, em frente à Prefeitura, com mais de duas mil servidoras e servidores. O sol também marcou presença, iluminando e esquentando ainda mais as delegações que participaram do protesto.
Durante a atividade, uma comissão de representantes do Fórum das Entidades foi recebida pelo governo para tratar da primeira resposta à pauta de reivindicações entregue em fevereiro.
Sobre o reajuste de 9,3%, o governo afirmou que está realizando um estudo de impactos e que não retrocederá na política de 0,01%. As entidades declararam que não querem apenas estudos, "porque estudo não enche barriga": querem uma proposta concreta para negociar. Uma nova reunião foi agendada para o dia 30 de março, para que o governo apresente uma posição.
Em relação ao fim do confisco de 14% sobre os proventos das aposentadas e aposentados, o governo informou que aguarda a votação no STF, pois falta o voto do ministro Gilmar Mendes. As entidades cobram a devolução integral de todos os valores retidos.
Sobre o "Descongela Já", a lei federal já está promulgada. O governo afirmou que estuda o impacto financeiro do pagamento dos retroativos. As entidades reafirmaram que todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores têm direito à restituição integral do que foi confiscado.
Quanto ao pleno direito a férias, o governo reconheceu, pela primeira vez, que há um problema: servidoras e servidores da educação que têm recesso escolar estão acumulando dívidas, o que poderá gerar, no momento da aposentadoria, um precatório reverso. Vamos cobrar anistia e garantir que toda servidora e todo servidor tenha direito pleno de férias, conforme prevê a Constituição Federal.
Em relação ao Grupo de Trabalho (GT) sobre saúde mental, os representantes do governo disseram que retomarão as atividades. Mas as entidades afirmam que o GT não cumpriu seu papel, pois aumentou significativamente o número de adoecimentos, devido às péssimas condições de trabalho. Por isso, pedem a reabertura imediata da discussão.
A Secretaria Municipal de Educação esteve presente na reunião e afirmou que participará do próximo encontro, quando trará definições sobre a situação dos readaptados. As entidades declararam que só aceitarão a garantia do pleno direito ao trabalho e a devolução da JEIF (Jornada Especial Integral de Formação).
Na reunião, o Sindsep e o Fórum registraram seu repúdio à política de censura do governo Ricardo Nunes. O governo cometeu graves violações contra duas trabalhadoras do Hospital do Tatuapé, representantes sindicais de unidade (RSUs) do Sindsep, punidas por distribuir materiais do sindicato no local. Tudo isso ocorreu justamente na semana de comemoração ao Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras.
As entidades também repudiaram a comunicação formal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), determinando que nenhum material ou documento sindical seja distribuído nas unidades de saúde da cidade de São Paulo sem antes passar por avaliação governamental. Essa medida recria o instrumento de censura prévia, extinto com o fim da ditadura militar em 1964. Tal atitude representa um retorno ao autoritarismo e deixa claro que a gestão da SMS é contrária à democracia e ao movimento sindical. O Sindsep e as entidades deixaram claro: não aceitarão que nenhum ditador cerceie o direito de livre expressão dos sindicatos de se comunicar com trabalhadoras e trabalhadores. Após essas informações, os presentes na manifestação dedicaram uma forte vaia ao governo.
Por fim, a assembleia aprovou, por unanimidade, uma nova paralisação com ato/assembleia no dia 30 de março, às 13 horas, em frente à Prefeitura. Caso o governo antecipe a reunião, a data poderá ser alterada. Reafirmando a unidade da classe trabalhadora, também foi indicado o dia de mobilização da Apeoesp (10/04) e dos demais sindicatos do funcionalismo estadual.
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