08/04/2026

CPI do Crime Organizado não será prorrogada, confirma relator

 


Agência Brasil

Alessandro Vieira considera decisão "desserviço para o Brasil"
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 08/04/2026 - 11:14
Brasília
CPI do Crime Organizado (CPICRIME) realiza reunião para ouvir dois convidados. Os depoimentos colaboram com as investigações em andamento sobre o avanço do crime organizado no país. 

A finalidade da comissão é apurar a atuação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor. 

Mesa: 
relator da CPICRIME, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
© Geraldo Magela/Agência Senado
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Criada para apurar a atuação, expansão e o funcionamento de facções criminosas no Brasil, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, não será prorrogada.

Segundo o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), comunicou sua decisão de não estender os trabalhos do colegiado no início da tarde dessa terça-feira (7). Vieira pediu a prorrogação dos trabalhos da CPI por 60 dias.

De acordo com Vieira, Alcolumbre justificou sua resolução de manter a data inicial de encerramento da comissão, no próximo dia 14, ao alegar que seria inadequado prorrogá-la às vésperas do início do calendário eleitoral deste ano.

“A decisão de Vossa Excelência foi pela não prorrogação. É meu dever registrar, publicamente, que entendo a decisão como um desserviço para o Brasil”, declarou Vieira, durante a sessão plenária do Senado dessa terça-feira (7), poucas horas após se reunir com Alcolumbre.

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Vieira destacou que, com o fim dos trabalhos na próxima semana, a CPI não continuará a apuração dos “fatos de alta gravidade” que vinha investigando, como a “infiltração criminosa” em instâncias públicas de poder do estado do Rio de Janeiro e o caso do Banco Master.

“Este é, seguramente, o caso mais didático de infiltração pela corrupção nos Poderes da República”, acrescentou o relator, ao se referir ao caso Master e aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federais.

Segundo ele, o Banco Master não era um banco, e sim uma organização criminosa. "[Era] um grupo que misturava lavagem de dinheiro, estelionato, corrupção, golpes financeiros, fraudes diversas, comandadas pelo presidente do banco, e que atendeu e prestou serviço a muita gente importante desse país, nos três Poderes”, acrescentou Vieira.

“Temos, ao mesmo tempo, a criminalidade violenta ocupando o território brasileiro, cada vez mais expulsando, dominando, constrangendo brasileiros e brasileiras. E temos aqui, nos escritórios, gabinetes de Brasília e da Faria Lima [em São Paulo], em todos os centros onde se tenha recurso e poder, a infiltração pela corrupção”, concluiu o senador.

Alcolumbre, que presidia a sessão Plenária, não se manifestou sobre as declarações de Vieira.

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