A avaliação foi feita por Hermano Tercius ao participar de debate sobre infraestrutura digital e atração de investimentos para o país, nesta terça-feira (26), em Brasília
O Brasil reúne condições estratégicas para se consolidar como um hub mundial de data centers, em um contexto de expansão da inteligência artificial e de aumento da demanda por processamento de dados. A avaliação é do secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, durante participação em evento da Coalizão de Frentes pela aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), realizado nesta terça-feira (26/5), em Brasília (DF).
Criado pela Medida Provisória nº 1.318/25, o Redata estabelece um regime especial de tributação para serviços de data centers, antecipando a desoneração de IPI, PIS e Cofins para o ano de 2026. O programa prevê R$ 5,2 bilhões no Orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos, especialmente em regiões menos atendidas. O avanço da agenda depende agora da tramitação no Congresso Nacional.
Hermano Tercius reforçou que a construção da proposta contou com o apoio técnico do Ministério das Comunicações. Por meio do Redata, as empresas interessadas contarão com suspensão de tributos por cinco anos na compra de equipamentos, mas terão de oferecer contrapartidas.
“A política traz contrapartidas importantes para o Brasil, como o uso de dados aqui e o uso de energia limpa. É uma política equilibrada e tecnicamente bem elaborada”, defendeu.
Na oportunidade, o secretário aproveitou para apontar desinformações que circulam sobre o tema, destacando que, atualmente, o Brasil consegue processar apenas 40% dos dados consumidos no país.
“Dizem que o nosso país vai hospedar dados de outros países, mas, para o próprio Brasil, precisaríamos aumentar em duas vezes e meia a quantidade de data centers apenas para atender aos dados que são gerados e consumidos aqui”, reiterou.
Em um cenário internacional marcado por guerras, a capacidade de armazenar e processar dados internamente ganha ainda mais relevância. “É uma questão de soberania nacional”, afirmou Hermano.
O secretário também rebateu críticas sobre os impactos ambientais dos data centers atuais, especialmente em relação ao uso de recursos hídricos.
“A tecnologia nova não consome água. Usamos a analogia com o radiador de um carro: o radiador consegue refrigerar o carro sem gastar água; ela fica ali, circula e você muito raramente precisa completar. É o que os data centers fazem hoje”, explicou.
O Ministério das Comunicações também prepara medidas complementares para consolidar o setor. Segundo Hermano, a Política Nacional de Data Centers trará outros aspectos além dos previstos na lei, por meio de decretos e portarias.
Coalizão de Frentes Parlamentares
O evento integra a mobilização conduzida pela Coalizão das Frentes Parlamentares e por entidades do setor produtivo em defesa da aprovação do Redata no Congresso Nacional, dando continuidade ao movimento iniciado com a publicação do Manifesto do Redata na última semana.
O encontro reuniu autoridades, presidentes de Frentes Parlamentares e dirigentes de entidades do setor produtivo para discutir o avanço da agenda de data centers, infraestrutura digital e atração de investimentos para o Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário