10/05/2026

Histórias de mães nos hospitais universitários mostram que há diversas formas de maternar

 



Pacientes, profissionais e gestoras dos hospitais universitários federais, da Rede HU Brasil, compartilham experiências que mostram os múltiplos significados de ser mãe

Agência Gov | via HUBrasil
10/05/2026 07:20
Histórias de mães nos hospitais universitários mostram que há diversas formas de maternar
divulgação
Vanessa, 29 anos, e seus trigêmeros David, Thiago e Arthur, no Hospital da UnB/HUB Brasil

Incontáveis histórias ajudam a traduzir os desafios e as delicadezas da maternidade. Nenhuma experiência é igual e é justamente essa diversidade que dá sentido à data celebrada no segundo domingo de maio, o Dia das Mães. Nos hospitais universitários da Rede HU Brasil , a maternidade se revela em diferentes formas: no cuidado, na superação, na ciência e, sobretudo, nas relações humanas construídas diariamente nesses espaços. Conheça, nesta reportagem especial, algumas destas histórias.

Quando a mãe também precisa ser cuidada

A maternidade pode começar de forma inesperada e, em muitos casos, atravessada por desafios de saúde. Foi assim para a técnica de enfermagem Vanessa Nascimento, de 29 anos, que realizou o pré-natal de alto risco no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) após descobrir, com apenas oito semanas de gestação, que esperava trigêmeos. “Foi assustador. Eu aceitei rápido, mas sempre tive muito medo, até o momento em que nasceram. Depois, todo o medo passou. Só quero levá-los para casa e curtir eles” , conta.

Mãe de primeira viagem, Vanessa iniciou o acompanhamento na atenção básica, mas foi encaminhada ao HUB devido à complexidade da gestação. Segundo ela, o acolhimento fez toda a diferença. “Tudo era novidade para mim , mas recebi muito apoioFui muito bem acompanhada e fiquei tranquila durante toda a gravidez por conta desse suporte.”

Os bebês nasceram no dia 27 de março deste ano . Davi e Thiago já receberam alta, enquanto Arthur segue em acompanhamento na UTI neonatal. “Eles nasceram bem, mas, por serem trigêmeos, precisam ganhar peso para ir para casa”, explica. Entre a ansiedade e o encantamento, Vanessa resume o momento com emoção: “Ainda estou assimilando tudo. Existe uma vontade enorme de estar com todos eles em casa, vivendo esse momento de mãe e filhos. Tudo muda na vida da gente.”

Maternidade que transforma e ressignifica

A maternidade também pode ser construída a partir de escolhas que ampliam o conceito tradicional de família. No Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU- Univasf ), a chefe da Divisão de Administração e Finanças, Sileide Neves, é mãe adotiva de três crianças uma menina e dois meninos gêmeos. “O desejo de ser mãe por meio da adoção surgiu naturalmente, da vontade de cuidar, amar e oferecer um lar”, afirma.

A adoção aconteceu em janeiro de 2018, quando as crianças tinham entre 5 e 9 anos. Desde então, vínculo foi construído com presença, dedicação e transformação. “Precisei desacelerar, sair da rotina intensa de trabalho e me permitir viver o universo da infância. Não foi fácil, mas foi transformador. Hoje, Vitória está com 16 anos, e os gêmeos Caio e Guilherme, com 14 .”

Para Sileide , a experiência reforça que a maternidade vai muito além dos laços biológicos. Ser mãe é estar disponível de corpo e alma, acolher, orientar e crescer junto com os filhos, aprendendo e se transformando a cada etapa dessa jornada”.

Conciliar a maternidade com uma função de liderança exige equilíbrio constante e, muitas vezes, resiliência. Durante a pandemia de Covid-19, enquanto atuava na linha de frente da gestão hospitalar, Sileide também acompanhava os filhos em casa e cursava o doutorado. “Foi uma fase muito difícil, que exigiu organização e força emocional.”

A experiência evidenciou a importância da rede de apoio e do cuidado com a própria saúde mental. “Busquei acompanhamento psicológico e psiquiátrico após esse período intenso. Também contei com o apoio da família e precisei reorganizar prioridades para estar mais presente na vida dos meus filhos” , relata.

Os desafios invisíveis da maternidade

De acordo com a psicóloga Kárita Monteiro, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), um dos principais desafios da maternidade é a sobrecarga causada pela multiplicidade de papéis assumidos pelas mulheres. “A mãe de hoje muitas vezes, sente que não consegue se sair bem em todas eles. Existe uma cobrança constante de dar conta de tudoda casa, dos filhos do trabalho o que gera sobrecarga e sofrimento emocional.”

Segundo a especialista, muitas mulheres acabam negligenciando a própria saúde Entre os sinais de alerta estão o cansaço extremo, esquecimentos frequentes, alterações de humor, ansiedade e sensação de insuficiência. “O ideal é buscar ajuda profissional e fortalecer a rede de apoio. Ser cuidada, validada e ter com quem dividir responsabilidades faz toda a diferença”, orienta.

Quando o cuidado atravessa gerações

No Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), a maternidade também se expressa na parceria entre mãe e filhodentro e fora do ambiente de trabalho. A técnica de enfermagem Maria do Carmo Figueiredo integra a equipe desde 2019. Seu filho, o enfermeiro Francisco, atua na instituição desde 2017.

Em setores diferentes compartilham mais do que a profissão: dividem valores, histórias e o compromisso com o cuidado. “Nossa relação é de muita admiração profissional. No convívio familiar, temos uma relação baseada em respeito, carinho e diálogo”, conta Maria do Carmo.

Após anos dedicada à família e atuando em outra área, ela decidiu retomar os estudosincentivada pelo filho. “Foi como validar tudo o que sempre ensinei: nunca desistir dos seus ideaisRecomeçar minha profissão foi uma forma de mostrar isso na prática ”, afirma. O retorno trouxe desafios, como conciliar estudos noturnos, responsabilidades do lar e adaptação ao ambiente digital.

Hoje, essa conexão também se reflete no cuidado com os pacientes. Francisco atua na UTI Pediátrica e acompanha crianças em estado mais crítico . Após a alta hospitalar , muitas delas seguem para o acompanhamento ambulatorial, onde Maria do Carmo tem a oportunidade de promover o seguimento dos cuidados “Ele sempre diz para as mães que elas vão me conhecer depois. É muito gratificante. Muitas querem saber quem é a mãe do Francisco”, relata, emocionada.

Mais do que espaços de assistência, os hospitais universitários são ambientes onde ciência e humanidade caminham juntas. Neste Dia das Mães, as histórias que atravessam esses espaços mostram que não existe uma única forma de maternar mas há algo em comum entre todas elas: o cuidado, em suas múltiplas dimensões.

Sobre a HU Brasil

Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh . É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

Por Danielle Morais, com revisão de Danielle Campos, da HU Brasil

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