Dois anos após a privatização da Sabesp, pesquisa do Instituto Datafolha revela que a maioria da população paulista continua rejeitando a venda da companhia e que as promessas de melhoria dos serviços não passaram de promessas e discuso jogado ao vento.
O levantamento mostra que 54% dos eleitores paulistas são contrários à privatização da Sabesp, enquanto 31% apoiam a medida. Outros 15% afirmaram não ter opinião ou se disseram indiferentes. Em comparação com a pesquisa realizada em março de 2023, antes da venda da empresa, a rejeição permaneceu elevada: na época, 53% eram contra e 40% favoráveis.
Os números indicam que nem mesmo entre os eleitores que aprovam a gestão do governador Tarcísio de Freitas existe consenso sobre a privatização. Nesse grupo, 43% são contrários à venda da Sabesp e 41% favoráveis.
Já entre aqueles que desaprovam o governo, a rejeição é ainda maior: 76% são contra a privatização, enquanto apenas 16% a defendem.
A pesquisa também avaliou a percepção dos usuários sobre os serviços prestados pela companhia após a mudança de controle. Para 51% dos entrevistados, a privatização não entregou a melhoria prometida por Tarcísio. Outros 28% afirmam que houve piora, percentual duas vezes maior do que o registrado entre os que percebem melhora (14%). Os demais 7% não souberam opinar.
Na Região Metropolitana de São Paulo, onde se concentra a maior parte dos consumidores da companhia, a avaliação negativa é ainda mais expressiva: 36% afirmam que os serviços pioraram, contra 20% no interior do Estado.
Para o Sintaema, os dados reforçam aquilo que trabalhadores e população vêm denunciando desde a privatização: a promessa de que a iniciativa privada garantiria um serviço melhor não se confirmou na percepção da maioria dos paulistas.
Desde julho de 2024, o Sindicato tem alertado para os impactos da nova gestão, como a redução do quadro próprio de trabalhadores, o aumento da terceirização, a intensificação da pressão por metas, o crescimento dos acidentes em obras e as recorrentes falhas operacionais registradas em diversas regiões do Estado.
Na avaliação do Sintaema, a pesquisa mostra que a população começa a associar os problemas enfrentados no saneamento ao modelo de gestão implantado após a privatização. “Enquanto Tarcísio de Freitas apresentou a venda da Sabesp como uma solução para ampliar investimentos e aumentar a eficiência, dois anos depois a percepção predominante é de que os benefícios prometidos ainda não chegaram à população”, reforça a direção do Sindicato.
Privatização dos serviços públicos
Além da Sabesp, o levantamento aponta aumento da rejeição a outros processos de privatização no Estado. Na Região Metropolitana de São Paulo, 56% são contrários à privatização das linhas de metrô e 53% rejeitam a venda das linhas de trem. Em relação ao Porto de Santos, 50% se posicionam contra a privatização, indicando um crescimento da resistência da população às políticas de venda de patrimônio público.
Para o Sindicato, os resultados confirmam que a experiência prática pesa mais do que as promessas feitas durante o processo de privatização.
“A população está avaliando pelos resultados. Quando faltam investimentos percebidos, aumentam as reclamações e persistem problemas operacionais, é natural que cresça o questionamento sobre o modelo adotado. Os trabalhadores sempre alertaram que o saneamento é um serviço essencial e não pode ser guiado exclusivamente pela lógica do lucro.”
O Sintaema reafirma que seguirá acompanhando os impactos da privatização, denunciando a precarização das condições de trabalho e defendendo que o acesso à água e ao saneamento continue sendo tratado como um direito da população e uma política pública estratégica para o desenvolvimento do Estado.

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