Empresária Vanessa Ramuth declarou evolução de R$ 2 milhões para R$ 13,6 milhões entre 2023 e 2025; empresa recebeu R$ 11,8 milhões de companhias ligadas a contratos públicos
247 – O patrimônio da empresária Vanessa Ramuth, mulher do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), cresceu 580% desde que ele assumiu o cargo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em janeiro de 2023. As informações foram reveladas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
De acordo com a reportagem, Vanessa declarou patrimônio de R$ 2 milhões quando o marido tomou posse no governo paulista. Ao fim de 2025, os bens informados haviam alcançado R$ 13,6 milhões, impulsionados principalmente por participação societária em empresa sediada no Panamá, investimentos financeiros e créditos a receber.
Em janeiro de 2023, a segunda-dama declarou possuir uma casa avaliada em R$ 325 mil, créditos de R$ 1,6 milhão a receber de sua própria empresa, R$ 7 mil em títulos e R$ 91 em conta bancária. Dois anos depois, sua declaração passou a incluir R$ 2,3 milhões em investimentos bancários, um crédito de R$ 850 mil contra o próprio marido e uma participação de R$ 9,6 milhões na Visio Panamá Corporation S.A.
Empresa sem funcionários recebeu mais de R$ 11 milhões
Segundo a coluna, a principal fonte de renda de Vanessa é a Direct Serviços Digitais e Sistemas, empresa de software registrada com capital social de R$ 5 mil, sem funcionários e sediada em um espaço de coworking em Barueri, na Grande São Paulo.
A reportagem afirma que a empresa recebeu recursos de duas companhias do setor de tecnologia para gestão de resíduos sólidos: a A.L.A. de Oliveira Sistemas e a CSJ Consultoria. Ambas possuem histórico de atuação em contratos públicos relacionados à coleta de lixo, especialmente com a Prefeitura de São Paulo, e mantêm antigas relações empresariais com Felicio Ramuth.
A Folha informa ter obtido 41 notas fiscais referentes aos pagamentos realizados pelas duas empresas à Direct. Antes da eleição de Ramuth para a vice-governadoria, entre 2021 e 2022, foram identificados oito pagamentos esporádicos, que somaram R$ 2 milhões, com valores entre R$ 71 mil e R$ 307 mil.
Pagamentos cresceram após posse no governo
Ainda segundo a reportagem, a partir da posse de Felicio Ramuth, os repasses passaram a ocorrer praticamente todos os meses, variando entre R$ 204 mil e R$ 695 mil.
A A.L.A. efetuou pagamentos até setembro de 2024. A partir de outubro daquele ano, a CSJ passou a realizar os depósitos mensais. Entre 2023 e 2025, as duas empresas transferiram R$ 10,3 milhões para a Direct. Em 2026, a CSJ ainda teria repassado mais R$ 1,5 milhão.
As duas empresas pertencem ao grupo empresarial da família de Angelo de Oliveira, ex-sócio de Felicio Ramuth na própria Direct. O atual vice-governador também prestou consultoria para a CSJ antes de ingressar na política.
A Direct foi fundada em 2011 por Felicio Ramuth, seu pai, Edson Ramuth, e Angelo de Oliveira. Atualmente, a empresa pertence exclusivamente a Vanessa Ramuth.
Defesa diz que pagamentos decorrem de tecnologia desenvolvida antes da vida pública
Em nota enviada à coluna, Felicio Ramuth afirmou que os valores recebidos pela Direct correspondem a direitos sobre tecnologia desenvolvida desde 2016, antes de sua entrada em cargos eletivos.
Segundo a manifestação, “a remuneração recebida pela empresa, que pertence à Sra. Vanessa Ramuth, decorre de direitos sobre tecnologia desenvolvida (código fonte de software, algoritmo e sistemas), tudo devidamente documentado desde o ano de 2016 (antes de qualquer cargo público eletivo do Sr. Felício Ramuth), com as devidas notas fiscais emitidas e com tributação regular e à disposição dos órgãos de controle”.
O vice-governador acrescentou que a Direct “não possui nenhum contrato com poder público e 100% das relações comerciais da empresa se dão através de empresas privadas”. Ele afirmou, no entanto, que foi orientado por seus advogados a não apresentar o contrato que regula os repasses entre as empresas.
Sobre a participação na empresa panamenha, Ramuth declarou que “a estrutura de investimento da Sra. Vanessa no exterior está integralmente declarada à Receita Federal e ao Banco Central, em conformidade com a legislação aplicável, inclusive o regime da Lei nº 14.754/2023, e se destina exclusivamente a investimentos”.
Grupo empresarial cita confidencialidade comercial
Procurado pela Folha, o grupo controlador da CSJ e da A.L.A. informou que não comenta relações comerciais específicas.
Em nota assinada pelo diretor-geral da CSJ, Jesus Angelo, a empresa afirmou: “Por política de governança e confidencialidade comercial, não divulgamos nem comentamos publicamente informações relacionadas às relações contratuais, comerciais ou financeiras mantidas entre nossas empresas, clientes e fornecedores”.
O texto acrescenta que a empresa atua em conformidade com a legislação aplicável, seus procedimentos internos e princípios de integridade.
Empresa ampliou contratos públicos
A reportagem também destaca que a CSJ ampliou sua carteira de contratos com a Prefeitura de São Paulo após a eleição estadual de 2022.
A companhia mantém contratos com o município desde 2020 para fornecimento de sistemas de gestão e rastreabilidade de resíduos sólidos. O contrato original foi sucessivamente prorrogado e, em julho de 2022, teve seu valor elevado para R$ 2,68 milhões.
Em 2025, a empresa assinou dois novos contratos com a SP Regula. O primeiro, de R$ 1,6 milhão, prevê o fornecimento de sistema de apoio à fiscalização dos serviços. O segundo, firmado seis meses depois, soma R$ 22,2 milhões para implantação, evolução e suporte do sistema de gestão de resíduos sólidos da capital paulista, com vigência até 2030.
Além da capital paulista, a CSJ mantém contratos com prefeituras como Jundiaí (SP), Campo Grande (MS) e Praia Grande (SP), além de empresas concessionárias de serviços públicos de limpeza urbana. Já a A.L.A. presta serviços a concessionárias responsáveis pela limpeza urbana de São Paulo e também atende empresas privadas.



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