Você sabia que a Prefeitura quer demolir uma EMEI da DRE Pirituba?
Comunidade de Perus se mobiliza para impedir a demolição da EMEI Dona Alice Feitosa
Moradores, famílias, educadores e profissionais da educação de Perus intensificaram a mobilização em defesa da EMEI Dona Alice Feitosa, após tomarem conhecimento de que a unidade deverá ser demolida para dar lugar ao futuro CEU Tarcon, projeto previsto pela Prefeitura de São Paulo.
O que mais revoltou a comunidade foi a forma como a informação chegou. Segundo relatos de pais, responsáveis e trabalhadores da escola, não houve comunicação prévia da administração municipal. A notícia começou a circular após a presença de técnicos da empresa responsável pela obra realizando estudos no terreno. Em seguida, reuniões confirmaram que a escola será substituída pelo novo equipamento público.
A falta de informações oficiais gerou uma série de questionamentos que permanecem sem resposta. As famílias querem saber para onde serão encaminhadas as cerca de 250 crianças atendidas pela unidade durante as obras, qual será o destino dos aproximadamente 50 profissionais que atuam na escola, quando ocorrerá a mudança e como será garantida a continuidade do atendimento sem prejuízos às crianças.
A apreensão aumentou ainda mais com a chegada de uma escavadeira ao local. Embora a Prefeitura afirme que os trabalhos se restringem à sondagem do terreno, moradores temem que o processo avance sem que a comunidade participe das decisões.
Para quem conhece a EMEI Dona Alice Feitosa, a discussão vai muito além da permanência de um prédio. A escola faz parte da memória afetiva de gerações de famílias de Perus. É o lugar onde muitas crianças deram os primeiros passos na vida escolar, fizeram amizades, descobriram o prazer de brincar ao ar livre, plantaram, colheram, observaram a natureza e construíram lembranças que permanecerão por toda a vida.
A EMEI não é apenas uma construção. Ela é um espaço de acolhimento, pertencimento e desenvolvimento. Cada árvore, cada canto do quintal, cada brinquedo e cada área verde contam um pedaço da história das crianças, das famílias e dos profissionais que ajudaram a construir essa escola ao longo de quase três décadas.
Seu projeto pedagógico valoriza o contato com a natureza. Hortas, árvores frutíferas, áreas de terra e espaços abertos fazem parte do cotidiano das crianças, proporcionando experiências que estimulam a curiosidade, a autonomia, a convivência e o cuidado com o meio ambiente.
Além da perda da escola, a comunidade também demonstra preocupação com os impactos ambientais da obra. Informações apresentadas aos moradores apontam para a possível retirada de centenas de árvores existentes na área, o que representa não apenas uma perda ambiental, mas também a descaracterização de um espaço que integra o processo educativo das crianças.
Os moradores deixam claro que não são contrários à construção de um novo CEU. O que defendem é que o investimento em educação aconteça sem destruir uma escola consolidada, reconhecida pela qualidade de seu trabalho e profundamente ligada ao território e à comunidade.
A Prefeitura informou que a EMEI será incorporada ao futuro CEU Tarcon e funcionará provisoriamente em outro endereço durante as obras, mas ainda não divulgou onde será esse espaço nem como ocorrerá a transição.
Enquanto aguardam respostas concretas, famílias, educadores e moradores seguem mobilizados, defendendo que decisões dessa importância sejam construídas com diálogo, transparência e participação popular.
Além dos atos organizados pela comunidade, está disponível um abaixo-assinado em defesa da permanência da EMEI Dona Alice Feitosa.
ABAIXO-ASSINADO CONTRA A DEMOLIÇÃO DA EMEI DONA ALICE FEITOSA
https://searadionaotoca.blogspot.com/2026/06/abaixo-assinado-contra-demolicao-da.html
Para a comunidade, preservar a EMEI Dona Alice Feitosa é preservar uma história construída por milhares de crianças, famílias e educadores. Porque uma escola não se resume às suas paredes.

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