Pesquisa da Conab também mostra redução na média ponderada dos preços praticados para o tomate e para a cenoura na maior parte dos entrepostos atacadistas; no comparativo mensal, comercialização de hortaliças cresceu 11,1% e de frutas, 7,1%
Os valores de comercialização da batata registraram queda na maior parte dos entrepostos atacadistas monitorados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no mês de julho. Na média ponderada dos preços praticados, o tubérculo apresentou decréscimo de 37,33%, com valor médio de comercialização de R$ 2,97 por quilograma. Entre as hortaliças, tomate e cenoura também tiveram redução na maioria das Centrais de Abastecimento (Ceasas). Para o fruto, a média ponderada encerrou o mês com recuo de 39%; para a raiz, a média das cotações caiu 29%. Os dados estão disponíveis no 8º Boletim Hortigranjeiro, publicado nesta terça-feira (25/8).
Elaborado pela Conab como parte das ações do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), o levantamento mostra aumento de 11,1% no volume total de hortaliças comercializadas em julho nas Ceasas, no comparativo mensal. Para os valores de comercialização da batata, os percentuais foram negativos em nove das Ceasas analisadas. As maiores quedas foram apuradas em Fortaleza/CE (-48,68%), Vitória/ES (-44,48%) e Recife/PE (-43,52%). De acordo com o Boletim, o cenário se explica pelo aumento da oferta da safra de inverno.
Em continuidade ao movimento verificado em junho, com a intensificação da safra de inverno, as cotações do tomate seguiram em declínio. A média ponderada do fruto nos entrepostos atacadistas registrou maiores reduções em Vitória/ES (-55,16%), Belo Horizonte/MG (-46,14%), São Paulo/SP (-43,29%), Curitiba/PR (-41,32%) e Campinas/SP (-41,30%). Em julho, a oferta teve o maior patamar do ano, ficando acima de 19,3% em comparação a junho.
Após alta até abril e cenário estável em maio e junho, as cotações da cenoura declinaram em função do aumento da oferta nas Ceasas, que cresceu 9,6% em relação ao total comercializado em junho. As quedas mais expressivas foram verificadas nas Ceasas de Campinas/SP (-38,37%), Belo Horizonte/MG (-35,46%), Curitiba/PR (-35,25%) e São Paulo/SP (-34,83%). O resultado reflete o aumento da oferta da safra de inverno a partir dos principais estados produtores.
Na média ponderada, a alface encerrou o mês com redução de 2,18% nos preços. Os valores oscilaram entre queda de 24,20% em Vitória/ES e incremento de 43,39% no Rio de Janeiro/RJ. Em julho, houve aumento de 14,1% na oferta do produto às Ceasas em comparação a junho. Apesar da intensificação da safra de inverno, as menores temperaturas diminuem a demanda, o que influencia nos preços do produto.
No panorama das hortaliças avaliadas, a cebola teve crescimento de 1,73% na média ponderada, encerrando o período com variações entre -14,71% em São José/SC e 11,99% em Recife/PE. De acordo com a avaliação da Companhia, o cenário de mercado em julho foi de oferta em alta, com preços em elevação, ainda que com a menor intensidade desde o mês de março.
Frutas
Os preços da maçã seguiram em queda, como redução de 6,84% na média ponderada. A fruta ficou mais barata em oito Ceasas pesquisadas, com incremento apenas em Fortaleza/CE (1,33%). As condições climáticas favoráveis à produtividade contribuíram para a movimentação das cotações nos entrepostos atacadistas. Além disso, o período também foi de aumento na comercialização.
O mercado da laranja registrou decréscimo de 3,51% na média ponderada do mês de julho. Em meio ao início da safra 2026/27, a oferta das frutas nos entrepostos atacadistas cresceu, levando à redução dos valores de comercialização em sete Ceasas, com variações entre -13,90% no Rio de Janeiro/RJ e 33% em Rio Branco/AC.
Entre as frutas analisadas, as cotações da banana recuaram 5,06% na média ponderada de julho, embora tenham crescido em seis entrepostos que fazem parte da pesquisa. A maior redução foi verificada no Rio de Janeiro/RJ (-25,70%) e a maior elevação, em Rio Branco (10,60%). A quantidade comercializada da fruta também subiu 5,7% na média das centrais de abastecimento.
Mamão e melancia voltaram a apresentar elevação, com incremento de 17,75% e 29,65%, respectivamente, na média ponderada dos preços. O cenário se explica pela queda na oferta das duas frutas. Para o mamão, especialmente da variedade formosa, houve diminuição da colheita em praças produtoras relevantes, como o sul baiano e o norte mineiro.
Exportações
As exportações de frutas e hortaliças nos primeiros sete meses de 2026 atingiram o volume de 703,3 mil toneladas, valor superior em 9,6% em comparação ao mesmo período de 2025. O faturamento foi de U$S 881,3 milhões, superando em 16,3% o registrado no intervalo entre janeiro e julho de 2025. As vendas externas até julho cresceram para manga (25,2%); limões e limas (26,5%); abacates (97%); mamões, melancias e pêssegos (84,4%); e maçãs (244,77%).
Destaques
A 8ª edição do Boletim Hortigranjeiro ainda traz a análise da comercialização das centrais de abastecimento brasileiras nos últimos anos. Além do volume, valor e valor médio da comercialização comparativo entre 2016 e 2025, o documento avalia os fatores estruturais limitantes das Ceasas, apontando a infraestrutura física e tecnológica; a gestão organizacional; o custo dos alimentos; a limitação de crescimento; os concorrentes físicos e os concorrentes virtuais.
As informações completas sobre preços e comercialização praticados em julho nas principais Centrais de Abastecimento brasileiras estão reunidas no 8º Boletim Hortigranjeiro. A análise mensal contempla os produtos com maior representatividade nas Ceasas e maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A base de dados Conab/Prohort reúne informações de 117 frutas e 123 hortaliças, abrangendo mais de mil produtos e suas variedades.

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