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Investigação do MPSP aponta repasse de R$ 2,98 milhões a auditores fiscais para obter vantagens no ressarcimento de ICMS em São Paulo
247 – Em meio ao processo de recuperação judicial em que declara uma dívida da ordem de R$ 17 bilhões, a rede varejista Casas Bahia tornou-se alvo de investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) por envolvimento em um esquema de suborno a servidores públicos, segundo Ramiro Brites, do Metrópoles.
Segundo o MPSP, a empresa efetuou o pagamento de R$ 2,98 milhões em propinas a auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). A operação ilícita visava garantir vantagens indevidas e agilidade no ressarcimento de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
As apurações do Ministério Público indicam que o caso envolvendo a Casas Bahia integra uma teia de corrupção de grandes proporções. Estimativas dos investigadores apontam que o esquema transacionou mais de R$ 1 bilhão em propinas, beneficiando dezenas de companhias de grande porte. A mesma operação já resultou em desdobramentos severos para outras marcas consolidadas do varejo nacional, culminando na prisão temporária de executivos e proprietários de redes como Fast Shop e Ultrafarma.
A revelação do escândalo ocorre em um momento delicado para a saúde financeira da gigante do setor eletroeletrônico. O advogado Luis Fernando Guerrero, especialista em recuperações judiciais, avalia que o maior dano imediato para a varejista não é estritamente operacional ou financeiro, mas sim reputacional.
“Pode haver uma crise de confiança porque a empresa já passa por dificuldade, já negocia com credores, e agora surge essa situação que pode abalar, de algum modo, a confiança no mercado. Então, isso pode gerar algum impacto”, analisa o especialista.
Apesar da gravidade das acusações, Guerrero pontua que os impactos jurídicos diretos sobre o plano de reorganização de dívidas tendem a ser limitados neste momento inicial. Segundo ele, o rito processual para comprovar judicialmente a eventual responsabilidade de diretores, administradores ou agentes ligados à companhia pode levar de três a cinco anos.
“Do ponto de vista da recuperação, propriamente, não tem um impacto direto. O grande desafio agora é enfrentar mais essa situação e cumprir os termos do plano de recuperação a ser proposto e aprovado pelos credores. Passar essa confiança vai ser a ação chave”, projeta o advogado.
Em posicionamento oficial sobre o caso, o Grupo Casas Bahia informou que instituiu, em março de 2026, um Comitê Independente de Investigação destinado a acompanhar e apurar de forma rigorosa todos os desdobramentos citados pelas autoridades.
“Enquanto os trabalhos deste Comitê seguem em andamento, a companhia se mantém à disposição das autoridades competentes para colaborar com as apurações e reforça que repudia qualquer ato ilícito, conduta antiética ou prática que viole a legislação”, declarou a empresa em nota.



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