Petista citou o Tribunal de Contas de São Paulo, questionou benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual e acusou o governador de transformar superávit em déficit
247 – O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, acusou o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) de manter um “orçamento secreto” por meio da concessão de benefícios fiscais sem transparência. A declaração foi feita na noite desta terça-feira (29), durante o debate promovido pela TV Globo, último confronto entre os dois candidatos antes do primeiro turno das eleições de 4 de outubro. A realização do debate e a participação dos dois candidatos foram confirmadas pela imprensa.
“O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo diz que Tarcísio tem um orçamento secreto. O governo dá benefícios fiscais, o bolsa empresário para os bilionários, e o Tribunal diz que isso é uma caixa-preta, um orçamento secreto, e recomenda abrir como nós fizemos no governo federal: mostrar, CNPJ por CNPJ, todos os que recebem benefícios fiscais”, afirmou Haddad.
O petista disse que, caso eleito, pretende ampliar a divulgação das informações fiscais do estado. “Comigo vai ser transparência total”, afirmou, antes de acusar Tarcísio de não responder adequadamente aos questionamentos do Tribunal de Contas do Estado.
Haddad acusa Tarcísio de deteriorar contas de São Paulo
O ex-ministro da Fazenda também concentrou seus ataques na situação fiscal paulista. Segundo Haddad, Tarcísio recebeu o estado com uma situação financeira mais favorável do que a atual.
“Sobre as contas de São Paulo, Tarcísio transformou o superávit em déficit. Você pegou um caixa com R$ 22 bilhões e está entregando com R$ 5 bilhões. Isso é dado da Folha de S.Paulo, da Secretaria da Fazenda do governo dele”, afirmou.
Haddad também criticou o desempenho econômico estadual. “São Paulo está crescendo meio por cento ao ano, pelo segundo ano consecutivo. Um quarto do Brasil. Tarcísio deveria olhar primeiro para o governo dele antes de criticar os outros”, disse.
O candidato petista relacionou ainda a situação fiscal paulista à renegociação das dívidas dos estados conduzida pelo governo federal. “Se nós não renegociássemos a dívida de São Paulo, Tarcísio não terminava o mandato respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou.
“Tarcísio quer um Milei aqui?”
Em outro momento do debate, Haddad associou o projeto econômico defendido pelo campo político de Tarcísio ao presidente argentino Javier Milei.
“Tarcísio quer um Milei aqui? Eles conquistaram a fila do osso e agora querem carne de burro aqui. Esse é o plano econômico deles”, disse.
A fala ocorreu em meio a uma discussão mais ampla sobre as diferenças econômicas entre os projetos defendidos pelos candidatos.
Haddad defende Reforma Tributária
O ex-ministro também destacou a Reforma Tributária aprovada durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda e criticou a posição atribuída por ele ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL).
“Nós aprovamos a maior Reforma Tributária da história do Brasil. Tem documento de vários economistas, de todas as escolas, defendendo a Reforma Tributária que vocês querem acabar”, afirmou.
Segundo Haddad, Flávio Bolsonaro pretende impedir a implementação das mudanças caso seja eleito presidente.
“O Flávio Bolsonaro está dizendo que não vai entrar em vigor a Reforma Tributária, se ele for eleito, uma coisa que levou 40 anos e muitas mãos para ser construída”, disse.
Haddad classificou a reforma como uma das principais mudanças econômicas das últimas décadas. “Eles querem destruir a maior conquista depois do Plano Real, que é a Reforma Tributária que eu conduzi no Congresso Nacional”, afirmou.
Haddad lembra dívida deixada pelo governo Bolsonaro
O candidato do PT também respondeu às críticas sobre as contas federais recordando despesas que, segundo ele, foram deixadas pelo governo Jair Bolsonaro para o primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula.
“Sabe qual foi o déficit que o Guedes deixou para eu pagar no primeiro ano do governo Lula? Quase R$ 200 bilhões”, declarou Haddad.
O petista afirmou que parte desses recursos envolvia compromissos do governo federal com os estados e citou especificamente São Paulo.
“R$ 30 bilhões foram para pagar os governadores. O Tarcísio esteve na minha sala em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria, e eu paguei”, afirmou.
Haddad disse ter tratado São Paulo sem discriminação partidária. “Ao contrário do que o Bolsonaro e o Guedes fizeram, eu fui lá e paguei, porque não o discriminei. Fui lá, fiz o acordo, falei que era justo e paguei os precatórios”, declarou.
Secretaria da Fazenda entra no confronto
Outro ponto explorado por Haddad foi a situação da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. O petista associou episódios envolvendo integrantes da pasta à necessidade de ampliar os mecanismos de transparência e fiscalização.
“A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo é matéria de jornal em toda semana por gente sendo presa, afastada e, inclusive, sendo promovida depois de ser denunciada”, afirmou.
O debate da Globo foi o último encontro televisionado entre Haddad e Tarcísio antes da votação de domingo. Além da política fiscal, o confronto abordou segurança pública, saúde, corrupção e temas nacionais, com os dois candidatos trocando acusações sobre suas respectivas trajetórias e aliados políticos.



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