Brasil 247
Contrato apreendido pela PF previa filme ou série documental com informações fornecidas pelo próprio ex-banqueiro
247 – Um contrato assinado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro depois de sua prisão previa a realização de um documentário sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, com entrevistas exclusivas e acesso a documentos e outros materiais fornecidos pelo próprio banqueiro. A Polícia Federal relacionou a iniciativa ao chamado “Projeto DV”, investigado como uma estratégia para melhorar a imagem pública da instituição financeira e direcionar críticas ao Banco Central.
O documento, foi apreendido pela PF durante o cumprimento de um mandado na residência do publicitário Thiago Miranda, apontado na investigação como um dos nomes ligados a Vorcaro. O contrato foi firmado em 31 de março de 2026, quando o banqueiro já estava preso, e também leva a assinatura de Miranda.
A informação consta de um relatório da Polícia Federal incluído entre os documentos cujo sigilo foi levantado na noite de sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contrato previa entrevistas exclusivas
O acordo estabelecia a participação direta de Vorcaro e Miranda na produção da obra e previa o fornecimento de informações e materiais relacionados ao caso.
“Daniel Vorcaro e Thiago Miranda concordam em colaborar com a produção, fornecendo informações, entrevistas e acesso a documentos que auxiliem na elaboração da obra”, registra trecho do relatório da Polícia Federal.
O contrato também estabelecia que os dois deveriam “conceder entrevistas exclusivas” e compartilhar “informações, documentos, imagens e materiais”.
A vigência inicial prevista era de seis meses. A iniciativa poderia resultar em um filme ou em uma série documental sobre o escândalo envolvendo o Banco Master.
PF aponta possível influência sobre opinião pública
A existência do contrato ganhou relevância para os investigadores por causa do contexto no qual a produção audiovisual estaria inserida. A Polícia Federal passou a analisar o projeto como parte de um conjunto mais amplo de iniciativas relacionadas a Vorcaro.
No relatório, a PF afirma que os envolvidos “aparentemente estão negociando a venda de informações para a produção de um documentário que poderá servir para mais uma vez manipular a opinião pública”.
Os investigadores relacionaram a iniciativa ao chamado “Projeto DV”, apontado como um plano destinado a melhorar a imagem pública do Banco Master e de Vorcaro, além de direcionar críticas ao Banco Central.
Thiago Miranda é apontado pela investigação como um dos articuladores do projeto.
Mendonça vê contrato dentro de contexto mais amplo
Ao analisar as evidências reunidas contra Miranda e proibi-lo de deixar o país, André Mendonça também abordou o contrato encontrado pela Polícia Federal.
Segundo o ministro, os depoimentos prestados pelo investigado e as demais evidências coletadas indicam que a produção do documentário fazia parte do “Projeto DV”.
Mendonça ressaltou, porém, que a realização de um filme ou série, isoladamente, não representa uma conduta ilícita.
“Produção de obra audiovisual, por si só, não configura nenhuma prática criminosa”, afirmou o ministro.
A avaliação muda, segundo Mendonça, quando o contrato é analisado no contexto das demais evidências reunidas pela investigação. Para o ministro, nessas circunstâncias, o documento “ganha contornos penais”.
Dados de jornalistas e executivos entram na apuração
Um dos pontos considerados relevantes na investigação diz respeito às informações que teriam sido reunidas no âmbito do “Projeto DV”.
Mendonça afirmou que as apurações apontaram que o plano envolvia “o levantamento e a utilização de dados pessoais sigilosos e negados, da vida privada de jornalistas e executivos”.
É esse contexto que, segundo a decisão, confere relevância criminal à investigação do projeto audiovisual, e não simplesmente a intenção de produzir um documentário sobre o caso.
O contrato apreendido na residência de Miranda passou, dessa forma, a integrar o conjunto de evidências usadas pela Polícia Federal para reconstruir as iniciativas atribuídas ao grupo ligado a Vorcaro depois que o escândalo do Banco Master ganhou dimensão pública.



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