Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assumiu o mandato
pedindo auditoria das contas do Executivo paulista e contenção de gastos -
especialmente com viagens. Mas nos dois primeiros meses de gestão as despesas
com passagens e locomoção do governo paulista subiram 16,2% em relação ao mesmo
período de 2010.
Dados do Tesouro estadual demonstram que o governo desembolsou neste ano R$
26,7 milhões, em valores liquidados, com passagens. O montante é R$ 3,8 milhões
maior do que o aferido no primeiro bimestre de 2010, de R$ 22,9 milhões. O
incremento nos gastos é baseado em levantamento feito pela liderança do PT na
Assembleia, a pedido do Estado, no Sistema de Informações
Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), da Fazenda estadual.
O aumento vai na contramão do primeiro ato de governo de Alckmin. Em
janeiro, como medida "cautelar", o tucano congelou R$ 1,5 bilhão do Orçamento
paulista e disse a seus secretários para "andar de helicóptero só em caso de
enfarte do miocárdio". Emitiu, sobretudo, um alerta para contenção de gastos e
custeio.
Ao todo, das 25 secretarias paulistas, 15 incrementaram os gastos com
passagens, apenas 3 viram redução nos valores e 3, recém-criadas, não têm base
de comparação com 2010 para aferir a variação. Para o governo, "as despesas
verificadas são perfeitamente compatíveis com o novo desenho" da
gestão.
Salto. A secretaria com maior aumento no gasto com
passagens foi a de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, tocada pelo
vice-governador Guilherme Afif Domingos (DEM). O salto, de 136%, elevou o gasto
de passagens a R$ 1,9 milhão, ante R$ 807 mil do mesmo período em 2010.
O governo paulista credita a variação ao fato de que a pasta absorveu a
estrutura da extinta Secretaria de Ensino Superior. E, com isso, seus órgãos
vinculados. Está também na lista das que incrementaram o gasto em passagens a
Secretaria de Educação, gerida pelo ex-reitor da Unesp Herman Voorwald. As
despesas passaram de R$ 4,4 milhões nos dois primeiros meses de 2010 para R$ 6,1
milhões este ano. Um aumento nominal de R$ 1,7 milhão, ou 37,10%, justificado
pelo governo com um novo programa de transporte de crianças e o pagamento de um
convênio com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).
Erro de rubrica. De acordo com o levantamento, cresceu
também, neste início de gestão Alckmin, o gasto com diárias de servidores. Os
dados mostraram que o valor nominal havia passado de R$ 10 milhões para R$ 10,2
milhões - variação de 2,11%.
Contudo, informado pelo Estado, o governo paulista
reconheceu um erro no lançamento de R$ 602 mil na rubrica "diárias" da pasta de
Meio Ambiente, gerida pelo ex-deputado estadual Bruno Covas (PSDB), o que
derrubou o avanço global nos gastos com diárias para R$ 9,8 milhões. Com isso, a
variação final resultou 0,2% negativa.
Mesmo assim, outras pastas viram avanço nas despesas com diárias. A
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia foi também a
campeã no aumento, com variação de 645%. Os valores pagos subiram de R$ 200 mil
nos dois primeiros meses de 2010 para R$ 1,4 milhão neste ano.
As diárias de assessores militares também viram expressivo crescimento em
comparação com o ano anterior. Em 2010, foram de R$ 350 mil e, para este ano,
quase triplicaram. A soma de despesas, até agora, atingiu R$ 984 mil.
Aumento global. Somando-se os gastos com diárias e
passagens em 2011, o governo paulista acumula alta de 11,6% em relação ao mesmo
período de 2010. O aumento nominal foi de R$ 33,4 milhões no primeiro bimestre
de 2010 para R$ 37,3 milhões nesse início de ano - considerando o erro do
governo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário