17/03/2011


Empresas denunciadas no "Fantástico" têm relações com fiscalização em Sorocaba

Reportagem na tevê exibiu negociações de supostas propinas em troca de promessas de privilégios
Notícia publicada na edição de 15/03/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 006 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
 Os radares de trânsito em Sorocaba sempre estiveram sob a responsabilidade de empresas apontadas no último domingo pelo programa Fantástico, da Rede Globo, em reportagem que exibiu negociações de supostas propinas em troca de promessas de privilégios que levaria à fictícia contratação da empresa para atuar em uma cidade do Rio Grande do Sul. O arquivo do jornal Cruzeiro do Sul mostra que uma das denunciadas, a Engebrás S.A. Indústria, Comércio e Tecnologia de Informática operou os radares em Sorocaba de 1996 até 2009, com a paralisação de quatro meses. Uma década após o início da primeira contratação, em março de 2006, o serviço foi suspenso com o questionamento do Ministério Público a respeito de prorrogação do contrato por dez anos, com pretexto de ser emergencial. Uma nova concorrência foi aberta e em julho de 2006, a Engebrás voltou a atuar em Sorocaba ampliando o número de equipamentos distribuídos ruas.
 
Outra empresa citada na reportagem sobre um suposto esquema de corrupção em licitações públicas foi a Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda, que tem sede em Votorantim e desde o ano passado opera os radares em Sorocaba. A Splice foi contratada por dois anos, ao valor de R$ 1,2 milhão pelo serviço dos radares fixos e mais R$ 325 mil pelos móveis. Por meio de concorrência a Splice assumiu o serviço em Sorocaba, que até então era realizado pela empresa Engebrás, que operava os radares fixos e a Oportunith Prestadora de Serviços, que respondia pelos radares móveis. Ontem à tarde a Prefeitura de Sorocaba e a Urbes Trânsito e Transportes foram questionadas sobre detalhes dos contratos firmados com a Splice, Engebrás e outras que tenham sido contratadas para operar radares em Sorocaba. A Secretaria de Comunicação (Secom) informou que responderia hoje.
 
 Splice afasta funcionário
 
 Por meio de nota a diretoria da Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda divulgou ontem que o funcionário que aparece na reportagem exibida na TV foi afastado das funções, "procedimento padrão nesta empresa para qualquer colaborador que se envolva em irregularidades, e uma sindicância foi instaurada para a apuração dos fatos". A versão da empresa é que sempre participou de "licitações transparentes, que privilegiem o interesse público, consubstanciado na qualidade dos produtos/serviços". Argumentou que os valores dos contratos que firma ficam em média 42% abaixo dos estimados por quem elabora os editais de licitação. "Portanto, repudiamos qualquer comportamento dessa natureza.", consta na nota.
  
Percentual de representação
 
A assessoria de comunicação da Engebrás S.A. Indústria, Comércio e Tecnologia de Informática informa que o funcionário foi demitido porque não tinha autonomia para estar em flat discutindo uma transação comercial sem comunicar sobre a reunião a um superior ou à empresa. Divulga que caiu em uma armadilha, já que falava em representação comercial (comissão para vendedor) e não de percentual sobre propina. Informou que o jurídico da Engebrás notificou a TV Globo a apresentar uma cópia integral da gravação e está tomando as medidas cabíveis para saber o que aconteceu. (Por Leandro Nogueira)

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