06/09/2011

Quadrilha de advogados usam dados de aposentados, correntistas e donos de automóveis para aplicar golpe



Eles usavam dados para sacar correções do Plano Collor; só em Sorocaba já foram quase 200 vítimas

Tatiane Patron
Agência BOM DIA
Um grande esquema de vazamento de informações sigilosas de clientes de bancos, pessoas cadastradas na previdência e proprietários de automóveis fez 194 vítimas em Sorocaba. A Polícia Federal, o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo estão investigando há mais de um ano a quadrilha formada por advogados.

Os criminosos buscam cadastros de aposentados, correntistas ou motoristas relacionados às correções de planos econômicos. Os advogados se passam por defensores dessas vítimas e pegam o dinheiro.

Em São Paulo, 12 pessoas estão sendo investigadas. Os integrantes do grupo responderão por crimes de falsidade ideológica e fraude processual. A operação ocorreu em Bauru, Lençóis Paulista, Avaré, Borebi, Osasco e São Paulo.

Um dos compradores das informações sigilosas é o  advogado Carlos Alberto Martins, ex-vereador de Lençóis Paulista. Em gravações feitas pelo Ministério Público, Martins negocia com César Mansani uma planilha de dados por R$ 15 mil.
Como o golpe é aplicado/ As ações suspeitas tem o objetivo de cobrar as perdas de quem tinha caderneta de poupança na época do Plano Collor, em 1990, já que ainda é possível recorrer à justiça para ganhar as ações de poupança com 20 anos. O Ministério Público estima que o golpe rendeu cerca de R$ 20 milhões à quadrilha.

Uma das estratégias dos criminosos para adquirir os dados das vítimas e não ser descoberta era usar o nome de outros advogados cadastrados na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Funcionários de banco e o Inapadec (Instituto Nacional de Proteção e Defesa do Cidadão), entidade particular que oferece assistência jurídica, contribuíam fornecendo os dados para a quadrilha.

O Idec  (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) estima que havia 70 milhões de cadernetas de poupança em 1990 e apenas um milhão recorreu à Justiça.
Você é vítima?
Para descobrir se estão usando seu nome em algum golpe, basta acessar o site www.trf3.jus.br ou ir pessoalmente à Justiça Federal, na avenida Armando Pannunzio, 298, e solicitar a certidão de distribuição que detalhará se há processo.
Estão usando seu nome
Se for confirmado que é uma vítima, deve procurar imediatamente uma delegacia policial e registrar o boletim de ocorrência. Se o golpista for advogado, como no caso da quadrilha, a OAB deve ser acionada. A Casa do Advogado fica na avenida Três de Março, 495, Aparecidinha.
Como não cair no golpe
A dica é nunca acreditar em ganhar dinheiro fácil, como no conto do bilhete premiado, e não se deixar levar por promessas geralmente feitas pelos infratores.

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