Governador diz que quer evitar retorno de viciados, como aconteceu em 2009
Tucano promete ainda, em entrevista à TV Folha, que não faltarão vagas em São Paulo a quem quiser se tratarVAGUINALDO MARINHEIRO
FERNANDO CANZIAN
DE SÃO PAULO
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirma que a operação contra o tráfico e o consumo de crack na cracolândia paulistana, iniciada no dia 3, não tem prazo para acabar.
A intenção é evitar o que aconteceu em 2009, no governo José Serra (PSDB), quando a polícia tomou parte do centro da cidade e dispersou os consumidores, que se reagruparam devido a falta de continuidade das ações.
"[Em 2009] se imaginava que o problema se resolvesse rápido, e essa é uma tarefa em que é necessário perseverar. Vamos trabalhar esta questão meses e meses, com atendimento social, com atendimento de saúde, com atendimento às famílias e com polícia", disse Alckmin, em entrevista à TV Folha.
PROMESSAS
No mesmo dia em que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou a cracolândia e anunciou R$ 6,4 milhões para tratar viciados em São Paulo, Alckmin também fez promessas.
Disse que o Estado irá dobrar, de 400 para 800, o número de vagas para o atendimento de viciados.
"Não faltará vaga. Se tiver um único caso de pessoa que ficou esperando atendimento, pode nos encaminhar."
A questão do combate ao crack virou tema de pré-campanha à Prefeitura de São Paulo, com PT e PSDB trocando críticas e acusações e anunciando medidas.
Tucanos dizem que o crack se consolidou em São Paulo na gestão petista de Marta Suplicy (2001-2004).
Já os petistas dizem que o crack é uma marca dos tucanos, que governam o Estado há 17 anos. Alckmin tenta se distanciar da polêmica.
"Do que depender de nós, não [haverá uso político]. Esse é um problema do país inteiro, que tem que unir todos, município, Estado e governo federal", afirmou.
Apesar de a ação em São Paulo ter começado antes da conclusão do centro de acolhimento da prefeitura e sem a participação do serviço social municipal, Alckmin nega que tenha sido uma decisão apressada para se contrapor ao plano anticrack anunciado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro.
"Na realidade, é uma ação até atrasada. Não poderia ter chegado ao nível em que chegou, de ter mais de mil pessoas [na cracolândia]. A ação era necessária e foi planejada, programada."
Assista à entrevista
folha.com/no1036245
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