03/01/2012

Enfermeiras de São Roque, SP, param velório de bebê para exames


Elas teriam dito que houve um erro no hospital.

Sindicância foi aberta para avaliar a conduta.

Adriane SouzaDo G1 Sorocaba e Jundiaí
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Enfermeiras da Santa Casa de Misericórdia de São Roque, interior de São Paulo, interromperam o velório de um bebê que viveu apenas três horas para a realização de um exames. O objetivo seria corrigir a certidão de óbito. A família do bebê abriu um Boletim de Ocorrência. Segundo o documento, o teste do pezinho, exame obrigatório em recém-nascidos, teria sido feito neste momento.
A mãe, Jaqueline Francine dos Santos, 23 anos, teve um sangramento no último dia 24 e procurou o hospital. Foi realizado um parto de emergência. O bebê ficou vivo por apenas três horas. “Ele já estava morto quando o conheci. Foi um momento muito difícil”, diz o pai, Paulo Gonçalves Leopoldo, 26 anos.
O hospital emitiu um laudo de natimorto (quando o nasce sem vida), liberando o corpo. Durante o velório, por volta das 3h, duas enfermeiras da Santa Casa chegaram ao local. Elas teriam afirmado que a documentação da criança estava errada e precisaria ser trocada. “As enfermeiras estavam nervosas, dizendo que um erro grande tinha acontecido e que precisariam arrumar tudo”, conta Lurdes, atendente da empresa funerária.
O caixão foi retirado da sala do velório pelas enfermeiras. Acompanhadas de familiares da criança, levaram o caixão até a uma sala anexa. Lá, a roupa do bebê foi cortada e o procedimento efetuado Em seguida o caixão foi devolvido para sala do velório.
Atitude incorreta
A Secretaria Estadual da Saúde mantém o Programa de Triagem Neonatal, que visa pela saúde dos recém nascidos em São Paulo. “Consideramos incorreto este procedimento, pois se a criança não tem mais vida, não existe razão para que o teste seja realizado”, declara a Secretaria Estadual, através da assessoria de imprensa.
As enfermeiras foram advertidas, mas permanecem trabalhando. É o que declara Márcia Cruz, administradora da Santa Casa de Misericórdia de São Roque. Ela completa dizendo que uma sindicância interna está em andamento para apurar os fatos. A investigação deve ser concluída ainda esta semana. Apesar de considerar a atitude das enfermeiras errada, a administradora informa que a entidade não irá se pronunciar até que a apuração dos fatos seja finalizada.

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