Ao tomar posse em São Paulo, Sartori, crítico da ofensiva do CNJ a magistrados, anunciou que abrirá o próprio sigilo fiscal
Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo
O novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, que tomou posse nessa segunda-feira, 2, perante o Órgão Especial, anunciou que vai instaurar procedimento para verificar pagamentos antecipados a magistrados e o fato de 45% de seus pares não terem apresentado à corte suas declarações de bens.
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"Aqui no TJ nós temos investigado tudo, aqui não há o que não passa", afirmou o desembargador, ao ser indagado sobre casos de magistrados que receberam quantias elevadas de uma só vez - o ministro Cezar Peluso, presidente do STF, recebeu R$ 700 mil a título de auxílio-moradia e outros benefícios.
"Vamos apurar porque (magistrados) receberam antecipado", assegurou. Sobre eventual punição, ele anotou: "Quando recebe dinheiro de boa fé, existe a irrepitibilidade. Porém, se não for de boa fé aí há possibilidade de devolução".
Sartori disse que abre mão espontaneamente de seu sigilo fiscal. "Minha vida é um livro aberto, não devo nada, não temo nada, não recebi nada adiantado."
Lançamentos mal explicados na folha de vencimentos da toga é o alvo maior do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ofensiva abriu a mais grave crise da Justiça desde a criação do CNJ, em 2004, por força da Emenda 45 (Reforma do Judiciário).
Em quase todo o País focos de rebelião contra o CNJ se multiplicam. No TJ de São Paulo a resistência ao conselho é histórica. Ontem, Sartori afirmou que quer "estar afinado e andar junto" com o CNJ, mas insistiu na comparação de que atos do conselho se assemelham a práticas da ditadura militar.
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