Jornal Cruzeiro do Sul
Leila Gapy leila.gapy@jcruzeiro.com.br
Um idoso de 77 anos, que foi atropelado na avenida Itavuvu no mês passado, espera há um mês pela cirurgia no joelho no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). O procedimento já foi adiado por três vezes. Em todas as oportunidades o hospital iniciou procedimento com jejum de mais de 24 horas e não explicou o porquê do adiamento. A esposa do paciente, também idosa de 72 anos, tem tido dificuldades em atender o idoso, devido a recusa de alguns enfermeiros em ajudá-la. A Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente será operado nos próximos dias. Em nota o Estado informou que as suspensões das cirurgias do paciente em questão ocorreram em razão de casos cirúrgicos de urgência, de pacientes que corriam risco iminente de morte.
Segundo o publicitário Augusto César Gomes, 52 anos, a saga do sogro, o idoso Alfeu Pereira, 77 anos, começou no início de dezembro, quando ele foi atropelado por um carro na avenida Itavuvu. De acordo com ele, o acidente ocorreu na altura do número 4 mil, quando Alfeu esperou a passagem de um ônibus e atravessou a rua, sendo atropelado por um veículo que estava logo atrás do coletivo. O idoso foi socorrido e encaminhado ao CHS pelo Corpo de Bombeiros. Desde então permanece internado no hospital.
Ainda de acordo com Gomes, o sogro sofreu fraturas na mão e no joelho, necessitando, desde então, de cirurgia para reparar os ossos quebrados. O procedimento na mão ocorreu há duas semanas. Porém, neste período, segundo o familiar, Alfeu já foi preparado em três ocasiões para a operação no joelho, sendo a última na segunda-feira, dia 9. "Nas três oportunidades o transferiram para o hospital Leonor Mendes de Barros e deixaram-no em jejum. De domingo para segunda, foram 24 horas sem comer. Mas nas demais oportunidades foram mais horas. E ninguém, absolutamente ninguém, dá informações", desabafou.
Os filhos, explicou o publicitário, trabalham em horário comercial e se revezam para atendê-lo no período noturno. Durante o dia, apenas a esposa do aposentado, Zilda Alves Pereira, 72 anos, o auxilia no hospital. "Ele está irritado. Fumante há anos, está em processo de desintoxicação desde a internação. Ele está com dores fortes no joelho que, no nosso ponto de vista, já deve estar em cicatrização (erradamente), devido tanto tempo do acidente. Neste último mês ele já caiu da cama duas vezes porque a minha sogra não aguentou segurá-lo. E já houve recusa de enfermeiros em ajudá-la. Um deles disse que estava cansado, pois trabalha em três hospitais", detalhou.
O genro do paciente disse também que tem procurado saber informações sobre o estado de saúde do sogro, mas tem encontrado dificuldade dentro do hospital. "É um descaso tão grande com os pacientes, com a vida humana, que está difícil descrever. Até agora, nem minha esposa (Regiane Alves Pereira), filha dele, sabe o nome do médico que acompanha o caso", garantiu. A Secretaria de Saúde do Estado, responsável pelo CHS informou que as cirurgias foram suspensas por conta de outros casos mais urgentes, mas o governo não respondeu sobre as preparações em jejum do paciente e nem sobre a recusa de ajuda por parte dos enfermeiros.
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