Maioria dos líderes descarta equiparação com ganho de secretários, mas assunto é discutido nos bastidores
Jornal Cruzeiro do Sul
Leandro Nogueira leandro.nogueira@jcruzeiro.com.br
O subsídio de cerca de 13 mil reais a partir de 2013, que os vereadores foram obrigados a abrir a mão (revogar) no início 2011, ainda é desejado por parte deles, que em conversas de bastidores expõem a vontade de equiparar os salários aos do secretariado, tanto da Prefeitura como da Câmara. Mas publicamente a maioria dos líderes de partidos manifesta-se contra ao reajuste e justifica que essa não seria uma boa decisão em ano eleitoral. Em 2012, os 20 vereadores também poderão aumentar o número de vagas na Câmara para até 25 a partir de 2013. Três deles disseram que votariam pelo número maior de assentos no Legislativo sorocabano, mas a maioria posiciona-se contra.
O atual subsídio bruto dos vereadores é de R$ 8.398,75 e do presidente da Câmara de R$ 9.723,28. Cada secretário municipal recebe R$ 12.560,81 e os secretários da Câmara têm o salário bruto de R$ 9.452,05 e gratificação de R$ 3.783,62 (40%) que somam R$ 13.235,67. "O secretário da Câmara ganhar mais do que o vereador é a mesma coisa do funcionário ganhar mais do que o patrão. A Câmara existe porque tem vereador", defende o líder do PMN, Ditão Oleriano. Ele é favorável ao reajuste e diz que votará pelo aumento se um projeto com tal proposta tramitar neste ano. E o novo presidente da Câmara, Francisco Martinez (PSDB) não descarta essa possibilidade. "Vai depender da mesa (diretora), a minha em particular, se tivesse que haver aumento, já deveria ter feito", declarou o presidente. Martinez acha difícil o aumento do subsídio no último ano, mas reconhece que nada é "imexível".
O líder do PPS, Marinho Marte, era presidente em 2010 e 2011, quando foi aprovado o aumento para R$ 13 mil e na sequência revogado por conta da pressão popular. "Alguns vereadores até defendiam que o subsídio ao menos fosse igualado ao do secretário (...) isso é coisa do passado (...), mostramos a questão de impacto na folha e avaliamos a questão política", diz Marinho Marte, contrário ao reajuste para 2013. O líder do PR, Cláudio do Sorocaba 1, também diz que já está acertado que o subsídio para a próxima legislatura será o mesmo. "O combinado entre os vereadores é que ficará apenas com o reajuste dos demais servidores. Se surgir um projeto, eu voto contra porque agora não é o momento certo (...). Daríamos munição para os pré-candidatos que estão de fora", declarou o vereador Cláudio.
O vereador Antonio Silvano, líder do PMDB, diz que que como membro da mesa diretora vai posicionar-se contra a elevação do subsídio porque considera bom o atual salário, mas diz que um secretário não deveria ganhar mais do que os vereadores. "Não digo que votarei contra se o projeto tramitar, mas não serei eu quem entrarei com a proposta para aumentar os salários", disse o vereador Antonio Silvano. O pré-candidato à Prefeitura e vereador líder do PSD, Hélio Godoy, diz que a intenção dos vereadores sempre foi a de equiparar os subsídios com o salários dos secretários, "essa é a conversa que mais ouço", declara. Mas ele mesmo posiciona-se contra. O líder do PSC, Emílio Ruby, diz que vota contra em um possível projeto de reajuste porque está satisfeito com o que recebe. Mas crê que um aumento no salário não o prejudicará. "Antes de ser eleito eu vi vereadores aumentando salários, taxas e impostos. Muitos vereadores que votaram a favor foram reeleitos e alguns que foram contra, perderam", disse Ruby, sugerindo que a população valoriza mais as conquistas que consegue para os bairros do que o posicionamento dele nas votações impopulares.
O líder do PV, Rozendo de Oliveira, é enfático: "Não vai aumentar salário, o vereador de Sorocaba vai ter o mesmo salário (quando comparado com cidades do mesmo porte)", defende. "Nós ganhamos R$ 5,5 mil líquido, se o Martinez propuser um projeto de reajuste eu serei contra, ainda nas discussões", declara Rozendo. Caldini Crespo, líder do DEM, chegou a apresentar proposta de subsídio zero para os vereadores e muitos o considerou demagogo. "Como o povo não concorda com isso (fim do subsídio) eu apresentei o outro projeto de lei para manter o salário atual", disse Crespo. Segundo ele, o Brasil é o único país do mundo em que vereadores recebem subsídios. Já o vereador Izídio de Brito, líder do PT, afirma que caso o projeto tramite ele levará antes levará para discussão interna no partido para então decidir se vota favoravelmente ou contra.
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