17/01/2012

São Roque: Sem coveiro, familiares terminam de enterrar parente



Administração do cemitério alegou que houve atraso no sepultamento e que nos finais de semana a equipe de serviço é reduzida
 Jornal Cruzeiro do Sul
Adriane Mendes
adriane.mendes@jcruzeiro.com.br

Familiares fizeram as vezes de coveiro no cemitério do Cambará, em São Roque, e tiveram que terminar de enterrar um parente no último domingo. Tiveram que jogar terra sobre o caixão e dar o acabamento final à sepultura. Coincidência no horário de dois sepultamentos e a equipe reduzia por ser final de semana podem ter causado a confusão, mas a administração do cemitério negou a falta de funcionários para fazer o serviço naquele momento.

A denúncia partiu de um amigo do falecido. Lucas Furtado, que foi ao enterro do amigo, disse estar "extremamente indignado" com o que viu, pois, segundo ele, não bastasse o sofrimento dos filhos do morto pela perda, tiveram ainda que "pegar uma enxada na administração do cemitério para completar o rito fúnebre". Segundo Lucas, o coveiro teria dito que "aquilo" não seria trabalho dele, e que o responsável em cobrir os túmulos não estaria de serviço naquela data. Acrescentou ainda que, mesmo assim, a família precisou pagar uma taxa de R$ 200. 

Atraso 
A administração do cemitério do Cambará aponta que a família do morto é que teria atrasado o horário para o sepultamento, o que coincidiu com o horário de outro. Com isso, a família teria que esperar pelo funcionário para terminar o sepultamento. Segundo explicou Dorival Cantamessa, chefe da Divisão de Serviços Urbanos, e que também responde pelo cemitério, o corpo deveria ser sepultado às 10h. O velório ocorreu no cemitério da Paz e ao chegar ao Cambará, a família fez uma parada na capela, para a despedida final. Com isso, o sepultamento teria atrasado em uma hora, coincidindo com outro, marcado para as 11h e que aconteceu no horário.

Cantamessa disse que mesmo com a coincidência de horário e a equipe de funcionários reduzida por ser final de semana, que o pedreiro abriu e fechou a gaveta do jazigo, que é a parte principal do serviço. Depois disso, o coveiro, cuja função em São Roque é mais conhecida como "sepultador", faria o acabamento. Mas a família não teria concordado em esperar, fazendo o trabalho. O chefe da Divisão de Serviços Urbanos explicou que a taxa cobrada da família do falecido é de valor único, referente a sepultamentos nas alas dos jazigos de alvenaria. O outro enterro, o das 11h, foi realizado na ala das sepulturas abertas, diretamente na terra.
 
Equipe reduzida 
Conforme Cantamessa, nos dias de semana trabalham dois pedreiros e dois sepultadores, e nos sábados e domingo a equipe fica reduzida. Alegou não ter entendido a reação da família, que de fato terminou o serviço do sepultamento, admitiu. Por telefone, a reportagem tentou entrar em contato com Lucas Furtado e com um familiar do morto, mas até o fechamento desta edição nenhum deles retornou a ligação.

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