05/01/2012

Zona sul tem quase metade dos roubos a banco



GIO MENDES
FABIANO NUNES
Quase metade dos assaltos a bancos ocorridos na cidade de São Paulo ocorreram na zona sul. A capital paulista teve 139 ocorrências do tipo de janeiro a novembro de 2011, um aumento de 6,11% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando aconteceram 131 ataques a agências bancárias. As estatísticas anteriores da Secretaria da Segurança Pública mostravam uma tendência de queda nesse tipo de crime desde 2006, ano em que ocorreram 301 assaltos desse tipo.
Dos 139 casos registrados até novembro de 2011, 61 (43,8%) aconteceram na zona sul. Os bairros de Vila Clementino, Itaim-Bibi, Santo Amaro, Brooklin, Campo Belo e Ipiranga estão entre os dez que mais sofreram com a ação de quadrilhas de ladrões de banco. Casos de “saidinha de banco” – quando o cliente é assaltado fora da agência depois de fazer um saque – e arrombamentos de caixas eletrônicos não entram na estatística de roubo a bancos.
Daniel Reis, especialista na área de segurança privada e secretário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirma que os ladrões de bancos atuam mais na zona sul porque a região tem muitos bairros nobres. “Na periferia, os ladrões optaram apenas por arrombar caixas eletrônicos localizados em estabelecimentos como mercados e farmácias. As quadrilhas preferem assaltar agências bancárias em regiões mais valorizadas, onde acreditam que a circulação de dinheiro é maior”, diz Reis.
Para o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro de Lima, a ação das quadrilhas acontece nas regiões onde elas têm mais conhecimento geográfico. “As quadrilhas definem o assalto em lugares onde acreditam que o risco da ação será menor”, afirma Carneiro. Segundo ele, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que tem uma delegacia especializada no combate ao roubo de bancos, vai atuar para evitar o aumento desse tipo de crime na região. “A missão natural do Deic é desmantelar essas quadrilhas.”
O capitão Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC), informa que a Polícia Militar poderá retomar em 2012 a Operação Saque Seguro após fazer uma nova reunião com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para mapear os endereços mais vulneráveis a ação de assaltantes. “Na operação do ano passado foram mapeadas as 200 agências mais críticas. Podemos rever esses endereços com a Febraban”, diz o capitão Moisés. De acordo com informações da Febraban, a cidade de São Paulo tem 2.449 agências bancárias.
A Operação Saque Seguro foi realizada entre maio e outubro de 2011 para combater os crimes de “saidinhas”, sequestro de gerentes e roubos de agências. Os PMs faziam rondas nos bancos entre 10h e 16h. Eles entravam nas agências, cumprimentavam funcionários e clientes e entregavam panfletos com dicas de segurança. Segundo o oficial, a PM vai ficar mais atenta para coibir a ação de criminosos nos bairros que apresentaram mais casos na zona sul.
José Jacobson Neto, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância e Segurança (Abrevis) e diretor do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de São Paulo (Sesvesp), lembra que as quadrilhas especializadas avaliam os obstáculos que irão enfrentar para roubar uma agência, como a presença de vigilantes e se os bancos têm barreiras físicas como portas giratórias

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