No dia 11 de agosto celebra-se no Brasil o Dia do Estudante. Mais que uma data comemorativa, a data tornou-se um dia de luta para vários grupos do movimento estudantil do país. Dia onde milhares saem as ruas em defesa da educação e contra os problemas que encaramos diariamente nas escolas e universidades.
O país passa por uma grave crise política e econômica. Como já apontava Karl Marx - um grande filosofo do século XIX - o capitalismo, de tempos em tempos, passa por crises. É durante a crise que a exploração da classe trabalhadora aumenta.
Por exemplo: para aumentar a exploração da classe trabalhadora surgem pessoas, como o presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, que propôs jornada de trabalho semanal de 80 horas. Ou também, flexibilizar as leis de trabalho, diminuir a estabilidade do trabalhador e dificultar ainda mais o acesso ao seguro-desemprego.
O Marx escreveu e deixou para sempre seu legado sobre a crise e da exploração da classe trabalhadora. George Dimitrov, que foi um comunista revolucionário da Bulgária, afirmava que durante a Crise do capitalismo o Fascismo tende a crescer.
Ou seja, durante a crise capitalista, a extrema direita se organiza para combater qualquer expressão de pensamento subversivo. Impor a ideologia das classes que sempre há anos dominam a economia mundial. Impor as ideias das grandes corporações que ontem financiaram o terrorismo e hoje financiam as inúmeras guerras contra o terrorismo.
O fascismo se organiza para tornar natural a ideia que é impossível transformar a sociedade; que sempre haverá explorados e exploradores. Que é normal haver ricos, pobres e a polícia para reprimir quem se revolta. Que o capitalismo é indestrutível. Para tornar natural essa ideia, procurar tirar da educação qualquer possibilidade de debate e/ou pensamento crítico humanitário.
Para fazer com que as pessoas passem a compartilhar esses pensamentos é necessário educa-las para isso. Ou seja, é necessário que, já na escola, tudo seja ensinado como esperam. Buscam tirar da sala de aula qualquer possibilidade de debate. Porque é no debate que surge a contradição; é no debate que surge os ideais contrários ao sistema capitalista e às opressões impostas.
É essa a proposta do projeto de lei “Escola Sem Partido”, que procurar tirar os fins políticos, ideológicos e partidários do ensino. Afirma combater a Doutrinação ideológica que contamina o ensino público brasileiro.
Na visão dos defensores do projeto existe hoje uma doutrinação dos estudantes. Uma doutrinação ideológica e partidária dos alunos na educação nacional.
A realidade da educação brasileira já é trágica. É crescente a desvalorização do ensino de humanidades. Desvalorização Do ensino das disciplinas que estimulam a crítica, a reflexão e a formação do pensamento.
Não existe doutrinação ideológica e partidária de alunos na escola. Tão pouco existe o devido ensino de questões sociais. Afirmar que existe doutrinação ideológica é um erro e demonstra odespreparo da direita (principal defensora do projeto) para lidar com a educação de forma séria.
O projeto trata de uma realidade que não existe na escola. Propor leis de uma realidade inexistente na educação nacional, de maneira tão imprudente, é danoso e apresenta graves riscos ao livre direito de debate e expressão do pensamento.
O Projeto “Escola sem Partido” está longe de solucionar os reais problemas da educação. É fruto da articulação de grupos conservadores que querem policiar e vigiar o trabalho dos professores. Que procuram fazer uma censura velada sobre o peso de lei.
Os tempos de censura já findaram. Hoje conquistamos a liberdade de expressar nossas ideias e promover o pensamento crítico. É um direito ter um pensamento subversivo. É um direito debater política, partidos e ideologia na escola. Escola é lugar de debate e não de policiamento ideológico.
Até mesmo, por trás do “Escola sem Partido”, que defende o fim da suposta doutrinação ideológica, existe uma ideologia e um partido. Existe uma ideologia que acredita que a escola é um local neutro, assim como existe um partido, ou, um conjunto de partidos centro-direita, que defendem o projeto.
A escola não é um local neutro. Professor e estudante tem o direito à diversidade de pensamento. “É uma tentativa de impedir que a escola dispute conceitos progressistas, humanitários, dos quais os segmentos conservadores discordam”, afirmou Luiz Araújo, professor da UnB, ao Brasil de Fato *
Portanto, é necessário que no dia 11 de agosto, Dia do Estudante, os movimentos estudantis saiam às ruas. Que os estudantes se organizem contra o Projeto “Escola sem Partido”. Façam debates, palestras, manifestações de rua. Denunciem à sociedade o atraso e o verdadeiro objetivo do projeto.
É no dia 11 que sairemos em defesa da educação, da pluralidade, do pensamento humanitário, da democracia. Contra qualquer tentativa de censura da educação. A escola não é um lugar neutro, pelo contrário, é um lugar onde florescem as possibilidades de transformação do mundo que vivemos. E só se transforma o mundo com ideologias e pensamentos críticos.
No dia do estudante a luta é contra o Escola Sem Partido.


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