sábado, 20 de maio de 2017

Áudio: diretor da JBS entrega R$ 500 mil a primo de Aécio Neves

Gravação mostra conversa entre Ricardo Saud e Frederico de Medeiros na sede da empresa em São Paulo; segundo delação, primeira parcela de propina de R$ 2 milhões foi repassada no encontro.

Delação da JBS - Ricardo Saud conversa com Fred Neves, primo de Aécio
Uma gravação realizada pelo diretor da JBS Ricardo Saud mostra o teor de uma conversa que ele teve com um primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Frederico Pacheco de Medeiros, no momento em que lhe entregava R$ 500 mil (OUÇA O ÁUDIO ACIMA).
Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), o valor corresponde à primeira parcela de uma propina de R$ 2 milhões pedida pelo parlamentar a um dos donos da JBS, Joesley Batista.
Aécio Neves está afastado do mandato de senador por determinação do Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta, Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, e a irmã do tucano, Andrea Neves, foram presos pela Polícia Federal.
Segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, Aécio e o presidente Michel Temer agiram em conjunto para impedir o avanço das investigações da Lava Jato, o que eles negam.

O repasse de R$ 500 mil

O encontro entre o executivo da JBS e o primo de Aécio ocorreu em 5 de abril deste ano, uma quarta-feira, na sede da empresa, por volta das 11h da manhã. Na ocasião, Ricardo Saud colocou o dinheiro numa mochila preta usada por Fred.
Os detalhes desse encontro foram narrados por Saud dois dias depois aos investigadores da Operação Lava Jato, em depoimento prestado no acordo de delação premiada da JBS. A gravação integra o material entregue como prova ao Ministério Público Federal para o acordo de colaboração.
No mesmo encontro, Saud e Fred combinaram que os outros R$ 1,5 milhão prometidos por Joesley a Aécio seriam pagos nas próximas semanas, no mesmo local.

Gravação com Aécio

Outra gravação, feita pelo próprio Joesley Batista durante conversa com Aécio Neves, na semana anterior, mostra o senador combinando com o empresário o repasse de R$ 2 milhões que seriam, segundo o tucano, para pagar advogados que o defendem na Lava Jato (ouça no áudio abaixo, a partir de 32min35seg).
Delação JBS - áudio Aécio Neves - Hotel Unique - INQ 4483
Nesta conversa, os dois combinaram como seria feita a primeira entrega do dinheiro. Joesley sugeriu a Aécio que ambos se encontrassem pessoalmente, mas o senador preferiu enviar o primo Fred para pegar o dinheiro, com um emissário do empresário.
"Tem que ser um que a gente mata ele antes dele fazer delação", disse Aécio, rindo.
O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) é visto em sua residência no Lago Sul, em Brasília, na quinta-feira (18) (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) é visto em sua residência no Lago Sul, em Brasília, na quinta-feira (18) (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)
O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) é visto em sua residência no Lago Sul, em Brasília, na quinta-feira (18) (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)

Versão de Aécio

Em nota divulgada nesta sexta, a assessoria de Aécio Neves afirmou que o diálogo com Joesley se deu "única e exclusivamente numa relação entre pessoas privadas, no qual o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal".
Inicialmente, o senador havia proposto a venda de um apartamento, mas o empresário, "atendendo aos interesses de sua delação", teria proposto um empréstimo de "recursos lícitos", na versão de Aécio.
"Não fosse a intenção do delator, única e exclusivamente, gravar as conversas em benefício próprio, teria essa transferência sido feita naturalmente e regularizada, através de contrato de mútuo, para que o acordo com os advogados pudesse ser concretizado posteriormente", afirma a assessoria.
A nota nega qualquer ato ilícito por parte do senador e aponta crime de Joesley ao "induzir declarações com o objetivo de garantir o benefício da delação premiada".


"O pedido de empréstimo foi feito sem a oferta de qualquer contrapartida e sem qualquer ato, por parte do senador, que possa ser considerado ilegal ou mesmo que tenha qualquer relação com o setor público", completa a nota, acrescentando que a intenção do senador era ressarcir os recursos ao empresário.

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