terça-feira, 9 de maio de 2017

Dupla Temer-Maia reedita a ditadura e cerca o Congresso para votar às escondidas a reforma da previdência; veja vídeos

09 de maio de 2017 às 19h58

viomundo
Congresso sitiado: no topo, embaixo e à esquerda, o aparato montado nesta terça-feira pelos golpistas Rodrigo Maia, Michel Temer, Henrique Meirelles (no centro), Arthur Maia e Carlos Marum (relator e presidente da da reforma da previdência). À direita, memórias do cerco que ocorreu na ditadura militar, coordenado pelo general Newton Cruz, que desfilava montado em cavalo branco na Esplanada dos Ministérios durante a vigência das medidas de emergência.Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil, via Fotos Públicas, Mídia Ninja e Memorial da Democracia
Da Redação, com Mídia Ninja, PT na Câmara e Memorial da Democracia
O Congresso Nacional é a a chamada  “Casa do Povo”.
Só que nesta terça-feira, 9, ele amanheceu totalmente cercado por grades e forte aparato militar.
A medida foi demandada pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para impedir justamente o acesso do público.
Hoje, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados está reunida  para votar a reforma da Previdência do governo golpista de Michel Temer (PMDB-SP).
Se aprovada depois no plenário, será o fim da aposentadoria.
Assim, para se esconder do povo, a dupla golpista Maia-Temer reeditou medida da ditadura militar contra as Diretas.
No capítulo Contra Diretas, tanques ameaçam Brasília (na íntegra, ao final), o Memorial da Democracia registra:

Uma semana antes da votação da emenda Dante de Oliveira, o general presidente João Baptista Figueiredo decreta estado de emergência no Distrito Federal, em Goiânia e em nove municípios do entorno da capital do país. A medida tem o objetivo de isolar Brasília, evitar manifestações pró-Diretas e intimidar o Congresso Nacional. O direito de reunião é suspenso e se estabelece a censura aos noticiários de rádio e TV. 
Figueiredo nomeou como executor das medidas o comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, que imediatamente estabeleceu o bloqueio das estradas. No dia seguinte, seriam presos seis pacifistas que jejuavam a favor das diretas em frente à Catedral de Brasília e dois jornalistas que estavam no local. Da mesma forma que havia feito no estado de emergência de 1983, na votação do decreto do arrocho salarial, o general Newton Cruz promoveu um espetáculo de autoritarismo e abuso do poder.
Na segunda-feira, 23 de abril, a pretexto de comemorar o aniversário do Comando Militar do Planalto, o general desfilou na Esplanada dos Ministérios montado sobre um cavalo branco, à frente de 6 mil militares e 116 tanques e carros de combate. 
As bancadas do PT (em nota) e do Psol (em vídeo) repudiam o forte aparato policial dentro e fora do Congresso.
“Botaram as grades para impedir o povo de participar”, denuncia também em vídeo o deputado federal Bohm Gassa (PT-RS). “Se o povo estiver aqui, a previdência não passa.”
Abaixo, a nota da bancada do PT, os vídeos de  Bohm Gass (PT-RS) e dos deputados do PSOL
NOTA DA BANCADA DO PT NA CÂMARA
Bancada do PT repudia aparato policial dentro e fora do Congresso Nacional
A Bancada do PT na Câmara dos Deputados repudia o forte aparato policial e militar montado  hoje dentro e fora do Congresso Nacional. O Parlamento amanheceu cercado por grades, com a presença de dezenas de policiais militares e agentes da Polícia Legislativa, todos fortemente armados, como se estivessem preparados para uma batalha campal.
Todo a praça de guerra foi montada para evitar a presença da população na chamada “Casa do Povo”, num dia crucial em que a Comissão Especial que analisa a desastrosa reforma da Previdência prepara-se para votar medidas que virtualmente põem fim à aposentadoria do trabalhador.
O cerco policial-militar ao Congresso é incompatível com um Estado Democrático de Direito e revela que o Brasil, sob o governo ilegítimo Michel Temer/PSDB/DEM e partidos aliados, está próximo a um Estado de exceção. O governo, com a mais baixa popularidade da história recente do País, empurra reformas que atacam e destroem direitos do povo, com o objetivo de beneficiar o setor financeiro, grupos econômicos estrangeiros e camadas privilegiadas da sociedade brasileira.
O aparato de guerra de hoje em Brasília lembra o que foi montado em 1984, em plena ditadura militar, quando decretou-se estado de emergência  para evitar que a população pressionasse o Congresso a votar a favor de eleições diretas presidenciais. 33 anos depois, a história se repete, agora como farsa.
A Bancada do PT condena a decisão da Presidência da Câmara de instalar o cerco policial na Casa. O povo brasileiro repudia as reformas trabalhista e previdenciária, bem como o governo Temer. Só um governo legítimo, com um programa aprovado pela população nas urnas, poderá levar o País a sair da crise, com a geração de empregos, renda e justiça social.
Brasília, 9 de maio de 2017
O deputado Ulisses Guimarães, presidente do PMDB, ocupou o microfone para fazer um discurso em que impôs condições para negociar com o governo, um dia antes de a Emenda Dante de Oliveira ser rejeitada pelo Congresso Nacional 24.04.1984
1984 18 A 25 DE ABRIL
CONTRA DIRETAS, TANQUES AMEAÇAM BRASÍLIA
Ditadura isola capital, censura rádio e TV; pressão total contra emenda das Diretas
Uma semana antes da votação da emenda Dante de Oliveira, o general presidente João Baptista Figueiredo decreta estado de emergência no Distrito Federal, em Goiânia e em nove municípios do entorno da capital do país. A medida tem o objetivo de isolar Brasília, evitar manifestações pró-Diretas e intimidar o Congresso Nacional. O direito de reunião é suspenso e se estabelece a censura aos noticiários de rádio e TV.
O presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, em discurso enérgico, condena “o ato ditatorial que afronta a nação”. O presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, diz que “o governo assinou seu atestado de óbito”. Um dia antes de decretar as medidas de emergência, o governo havia apresentado uma emenda constitucional marcando eleições presidenciais para 1988. Ulysses rejeitou a proposta, com apoio da maioria dos governadores de oposição.
Figueiredo nomeou como executor das medidas o comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, que imediatamente estabeleceu o bloqueio das estradas. No dia seguinte, seriam presos seis pacifistas que jejuavam a favor das diretas em frente à Catedral de Brasília e dois jornalistas que estavam no local. Da mesma forma que havia feito no estado de emergência de 1983, na votação do decreto do arrocho salarial, o general Newton Cruz promoveu um espetáculo de autoritarismo e abuso do poder.
Na segunda-feira, 23 de abril, a pretexto de comemorar o aniversário do Comando Militar do Planalto, o general desfilou na Esplanada dos Ministérios montado sobre um cavalo branco, à frente de 6 mil militares e 116 tanques e carros de combate. No dia seguinte, a população de Brasília promoveria um buzinaço e o general reagiria chutando e chicoteando automóveis que passavam pela avenida. “Buzina agora seu filho da…” Apesar do general, as buzinas tocaram até a madrugada do dia 25, data da votação. Das janelas dos prédios, os moradores batiam panelas.
O Congresso Nacional foi cercado por policiais militares na véspera da sessão, mas isso não impediu que na manhã do dia 25 milhares de estudantes ocupassem o gramado em frente ao edifício. Deitados sobre a grama, escreveram com seus corpos a palavra de ordem Diretas-Já. Dentro do prédio, a votação se prolongou até as 2h da madrugada do dia 26, sem que o país pudesse acompanhar os discursos e os votos pelo rádio ou pela TV. As informações saíam do prédio apenas por telefone e por telex para as sedes de sindicatos e outras entidades em diversos pontos do país.
A emenda precisava de 320 votos (dois terços dos deputados) para ser aprovada. Alcançou 298, incluindo votos de 54 deputados do PDS. Houve 112 ausências, quase todas de parlamentares do partido do governo que tinham vergonha de votar contra as Diretas. Apenas 25 votaram “não”.
Mesmo derrotada, a campanha das Diretas determinou o completo isolamento político e social da ditadura militar que completara 20 anos naquele mês de abril de 1984. As oposições e os movimentos populares mostraram sua força. O partido oficial estava dividido. O regime se aproximava do fim, mas ainda apostava numa negociação política da transição.

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