sábado, 13 de maio de 2017

Jornalismo da PUC-SP repudia revista Veja



Jornalismo da PUC-SP repudia revista Veja
O Departamento de Jornalismo da PUC-SP repudia, nos termos mais veementes e inequívocos, a capa da edição 2.530 (17.mai.2017) da revista semanal Veja.
A capa traz a reprodução de uma foto em preto e branco de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, morta em 3 de fevereiro de 2017, com a manchete “A morte dupla” e uma legenda “explicativa”: “Em seu depoimento ao juiz Moro, Lula atribui as decisões sobre o tríplex no Guarujá à ex-primeira-dama, falecida há três meses”.
O que há de errado em atribuir à própria esposa e companheira uma decisão qualquer que afete a vida da família? Nada, absolutamente nada – a menos, é claro, que a revista parta da premissa de que as supostas “decisões” atribuídas a dona Marisa tenham envolvido ações ilegais, e que Lula tenha se aproveitado do fato de que sua mulher está morta para jogar-lhe o peso da responsabilidade por tais supostas ações.
A revista, portanto, já fez o seu julgamento. Já lavrou a sentença condenatória: Lula adquiriu o tríplex como propina, e para se livrar da cadeia manchou a reputação de dona Marisa. Não contente com se antecipar à Justiça, assumindo o lugar do júri e do carrasco, a revista ainda se arroga o direito de interpretar as motivações mais íntimas de Lula, e expor a sua figura à execração pública da forma mais vil, covarde, inaceitável e desumana.
É a revista Veja, não Lula, que pisoteia sobre o cadáver daquela que, durante oito anos, foi a primeira-dama de nosso país. Ao atacar a memória de dona Marisa, a revista fere o sentimento de dignidade do povo brasileiro. A exposição de sua foto, na capa, cumpre a função de punir exemplarmente, a exemplo dos rituais da Sagrada Inquisição, uma mulher simples, do povo, que cometeu a ousadia de ocupar o Palácio do Planalto. A Casa Grande não perdoa.
Quando todos achavam que nenhuma vileza superaria a capa da própria revista Veja de 26 de abril de 1989, dedicada ao cantor Cazuza – “uma vítima da Aids agoniza em praça pública” -, a revista prova, mais uma vez, que não há limites para a patifaria, para a infâmia e a ignomínia.
São Paulo, 12 de maio de 2017
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