sexta-feira, 2 de junho de 2017

PT deve voltar às bases de esquerda para concorrer à Presidência, diz Lula

CONGRESSO

Na abertura do congresso nacional do partido, ex-presidente pediu que às lideranças pensem políticas voltadas aos segmentos populares. Dilma criticou as reformas de Temer e reforçou coro por eleições diretas
por Cristiane Sampaio publicado 02/06/2017 10h21, última modificação 02/06/2017 10h29
LULA MARQUES/AGÊNCIA PT
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Lula discursa durante congresso do PT, evento que teve presença de Dilma Rousseff e marca escolha da diretoria que comandará o partido
Brasil de Fato – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Partido dos Trabalhadores (PT) precisa retornar às bases da esquerda para concorrer novamente à Presidência da República. Sem fazer menção direta a uma candidatura própria, como vem sendo especulado, Lula pediu que as lideranças do partido pensem políticas voltadas aos segmentos populares, em especial mulheres, sem-terra, negros, quilombolas e LGBTs. "O PT tem que ter orgulho de falar com essa gente", completou, em referência à história da sigla.   
A declaração foi feita durante a abertura do 6º Congresso Nacional do PT, que ocorre até este sábado (3), em Brasília. O evento marca, entre outras coisas, a eleição da nova direção do partido, reunindo parlamentares, gestores, lideranças e militantes em geral.
Lula pediu ainda que os próximos dirigentes partidários elaborem um discurso "exequível" para o país. "Eles [os adversários] estão com medo; nós, não. Se a esquerda for pra disputa com um programa factível, a gente vai voltar a governar este país", completou o ex-presidente, que vem sendo apontado como possível presidenciável, mas evitou falar no assunto.
A campanha, desta vez, ficou a cargo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), também destaque na abertura do evento. Ela aproveitou para criticar as reformas trabalhista e da Previdência e para engrossar o coro por eleições diretas para presidente. "É a única saída possível e viável para o país. Não porque nós tenhamos o melhor candidato, porque perder eleição não é vergonha. Vergonha é tentar ganhar no tapetão, sem voto. Vergonha é tentar eleger candidato biônico. Nós precisamos da legitimidade que só o voto popular dá. É 'Diretas Já' por uma questão de sobrevivência do país", disse Dilma.
Ela também defendeu a realização de uma Constituinte exclusiva para tratar da reforma do sistema político e reforçou o nome do ex-presidente Lula como concorrente à chefia do Executivo. "Meu candidato é Lula para presidente", finalizou.

Campanha

Movido pelo agravamento da crise em torno da figura de Michel Temer (PMDB-SP), o tema "Diretas Já" foi dos mais citados nos discursos de abertura do congresso do PT, que contou com representantes de várias entidades. Estiveram presentes lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre outros, todos defendendo a saída do presidente e sua sucessão definida pelo voto popular.
"Num momento como este, precisamos de unidade, mas também de amplitude. Muitas pessoas que defenderam o impeachment hoje pedem eleições diretas", destacou a presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, encampando o discurso de união da esquerda com setores mais conservadores, em prol de um novo pleito popular.
O líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (SP), foi um pouco mais além, chegando a defender eleições gerais, para que o eleitorado possa escolher também novos parlamentares. "Vamos atender aquilo que o povo quer, que é a redemocratização do sistema político brasileiro", bradou.  
O dirigente do MST Alexandre Conceição fez um apelo para que os parlamentares do PT não costurem pactos com membros da base aliada do governo no sentido de promover uma eleição indireta. "Não façam acordo com a burguesia. (…) O Brasil só terá jeito quando retomar a democracia e a gente puder votar pra presidente", defendeu Conceição, que falou em nome da Frente Brasil Popular (FBP).
A declaração do dirigente é uma referência ao contexto político do Congresso diante da possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve julgar o caso no próximo dia 6. Com o aumento das especulações sobre um afastamento de Temer, crescem nos bastidores do Legislativo as articulações em torno de um acordo para escolher indiretamente um novo nome para a Presidência, em caso de vacância do cargo.
Na quarta-feira, porém, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou por unanimidade a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 67, que prevê a realização de eleições diretas para presidente e vice-presidente da República quando o cargo ficar vago decorrido até três anos do mandato.
Durante a abertura do congresso, a líder da bancada do partido no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), rechaçou a possibilidade. "Não é possível fazer acordo com quem rasgou o pacto da Constituição Federal de 1988 e cassou uma presidenta legitimamente eleita", garantiu a petista.   

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