quarta-feira, 12 de julho de 2017

Falsas promessas de Temer para aprovar reforma trabalhista desmoralizam o Senado; Rodrigo Maia tenta provar à Globo que é mais ‘reformista’ que Temer

viomundo

12 de julho de 2017 às 11h34

  
Foto Lula Marques, via Fotos Públicas
Da Redação
No ápice da sessão que aprovou (por 50 a 26) o texto-base da reforma trabalhista, desconsiderando 800 emendas apresentadas, senadores e senadoras discutiram a emenda sobre o trabalho de grávidas e lactantes em áreas insalubres.
Para impedir o andamento desejado pelo governo Temer, a tática da oposição nas comissões e no plenário buscava aprovar ao menos uma emenda, o que devolveria o texto à Câmara, retardando a entrada em vigor das medidas escravocratas.
Já o líder do governo Romero Jucá garantia que ‘ajustes’ ao texto final seriam feitos pelo usurpador Michel Temer, através de vetos e de uma medida provisória.
Um texto com os ajustes prometidos circulou amplamente pelo Senado e, no quesito específico das grávidas e lactantes, foi a justificativa para os votos do PMDB e do PSDB contra a proposta da oposição: Temer ‘corrigirá’ erros, garantiram líderes das bancadas (ver o vídeo abaixo).
Notaram como a senadora Marta Suplicy usa as promessas de Temer para justificar seu voto?!?
Pois bem: hoje Rodrigo Maia disse através do twitter que a Câmara “não aceitará nenhuma mudança na lei. Qualquer MP não será reconhecida pela Casa”.
Mais cedo, tuitou: “Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública”.
Ou seja, Rodrigo Maia deu um passa moleque em Temer, que por sua vez atropelou o Senado com promessas vagas.
Maia tenta se qualificar junto à Globo para ocupar o Planalto com uma agenda ainda mais regressiva que a de Temer — para ele, a Justiça do Trabalho não deveria nem existir.
Enquanto isso, senadores e o Senado restam desmoralizados.
Para Rodrigo Maia, Justiça do Trabalho ‘não deveria nem existir’
postado em 08/03/2017 19:37
Brasília, 08 – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu fortemente a mudança da legislação trabalhista nesta quarta-feira, 8, e, ao reclamar do excesso de regras para a relação entre patrão e empregado, sugeriu que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”. Contrariado com a proposta de reforma considerada “tímida” produzida pelo governo, Maia disse que a Câmara deve dar “um passo além” e até desagradar ao presidente Michel Temer.
“Apesar de o governo tentar nos convencer que devemos votar o texto que veio, eu acho que não. Acho que há temas em que precisamos avançar, como o trabalho intermitente e outras questões”, disse Maia em evento na capital federal. “Acho que há um consenso da sociedade que esse processo de proteção (do trabalhador) na verdade gerou desemprego, insegurança e dificuldades para os empregos brasileiros. Então nós precisamos ter a coragem de dizer isso”, disse Maia.
Com tom crítico acima do visto no governo, o presidente da Câmara defendeu que “o excesso de regras no mercado de trabalho gerou empregos de investidores brasileiros no exterior, não gerou nada no Brasil”. “Gerou 14 milhões de desempregados”, resumiu.
Além das regras, Maia também disparou contra a Justiça trabalhista. “Juízes tomando decisões das mais irresponsáveis quebraram o sistema de bar, restaurantes e hotel no Rio de Janeiro. O setor de serviço e de alimentação quebrou pela irresponsabilidade da Justiça do Trabalho no Rio”, disse. Por isso, destacou, foi preciso regulamentar temas curiosos como a gorjeta.
“Agora tivemos que aprovar uma regulamentação da gorjeta porque isso foi quebrando todo mundo pela irresponsabilidade da Justiça brasileira, da Justiça do Trabalho, que não deveria nem existir”, disse Maia em evento na inauguração do novo escritório da agência de notícias Bloomberg em Brasília.
Certo de que a Câmara deverá adicionar itens à proposta de reforma trabalhista, Maia já diz que a Casa vai “desagradar” ao presidente Michel Temer. “Infelizmente, o presidente Michel não vai gostar, mas acho que a Câmara precisa dar um passo além daquilo que está colocado no texto do governo”.
Ainda sobre a agenda reformista, Maia disse a reforma da Previdência não tem temas polêmicos. “Não são temas polêmicos. A aposentadoria rural não tem nada de polêmico”, disse, ao defender a separação dos benefícios de prestação continuada do pagamento das aposentadorias rurais. Sobre a regra de transição do atual sistema para o novo proposto, o deputado fluminense disse que “qualquer ponto de corte é polêmico” porque sempre quem estiver próximo, mas fora da transição reclamará.
Em reuniões privadas, Maia dá como irreversível queda de Temer
MARINA DIAS
DE BRASÍLIA
DANIELA LIMA
EDITORA DO “PAINEL”
Rodrigo Maia (DEM-RJ) passou o último domingo (9) imerso em articulações. Às vésperas de uma semana decisiva para o governo Michel Temer, traçou a diversos interlocutores um cenário em que trata a queda do presidente como irremediável.
No comando da Câmara e sucessor imediato ao Planalto caso o afastamento e a derrocada de Temer se concretizem, Maia encerrou o fim de semana com uma reunião em sua residência oficial em que serviu pizza e sopa e estava cercado de parlamentares da base aliada ao governo.
Um dos deputados que estavam no encontro contou que, em tom sóbrio, Maia reproduziu a alguns dos presentes o diagnóstico que disse ter feito, horas antes, ao próprio Temer, no Palácio do Jaburu.
Segundo este interlocutor, o presidente da Câmara afirmou ter dito ao presidente da República que ele poderá sobreviver à votação, no plenário da Casa, da primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, mas que certamente sucumbiria quando a segunda acusação chegasse à Câmara.
A avaliação de Maia é que o resultado da primeira votação influenciará diretamente a segunda, visto que os deputados da base se desgastariam uma vez em defesa de Temer, mas numa outra ocasião ficaria “mais difícil”.
Maia também se queixou de ministros e aliados do presidente, que vêm questionando sua lealdade diante de relatos de que tem se reunido com políticos que articulam um cenário pós-Temer.
Afirmou ainda que, antes do jantar em sua casa, havia participado de um almoço com “gente importante” que fazia a mesma avaliação sobre o futuro do governo.
O relato dava conta de um encontro que Maia havia protagonizado horas antes, logo após se reunir com o presidente no Jaburu.
Depois da conversa com Temer, de pouco menos de uma hora, o presidente da Câmara, em carro descaracterizado, foi a uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para um almoço.
Era o convidado principal de um encontro promovido pelo vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet.
A reportagem da Folha chegou ao local por volta das 14h45. Menos de uma hora depois foi abordada, pela primeira vez, por um dos seguranças da casa, que questionou o motivo da campana.
Passados 15 minutos, um segundo funcionário da residência interpelou a reportagem. Ele disse: “o vice-presidente da Globo quer saber quem você é e para quem você trabalha”.
A reportagem informou nome e veículo, e confirmou que Maia estava na residência, com mais cinco políticos, entre eles, os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Heráclito Fortes (PSB-PI) e o ministro Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia).
Os carros dos convidados -todos sem placa oficial- só deixaram o local à noite, por volta de 19h15, após cerca de cinco horas. Motoristas foram orientados a entrar na garagem para que os passageiros embarcassem com os portões fechados.
Heráclito disse que o encontro estava “marcado há mais de um mês” e que “não teve nada de conspiração”.
“Era para ser lá em casa mas Tonet resolveu fazer na casa dele”, disse. “As pessoas estão vendo coisa onde não existe. Maia tem sido muito correto”, completou.
Pouco depois, o presidente da Câmara telefonou a alguns deputados, ministros e líderes de partido, convidando-os para comer em sua residência oficial, assim que saíssem de uma reunião com Temer no Alvorada.
Em sua casa, Maia falou sobre a conversa com o presidente mais cedo, relatou seu almoço com a direção da emissora e vaticinou o fim do atual governo.
Na pizza com sopa, estavam presentes os ministros Antonio Imbassahy (Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), além dos deputados Benito, Heráclito e dos líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e no Congresso, André Moura (PSC-SE).
Parlamentares que participaram do encontro deixaram o local afirmando que o clima não estava bom para Temer e que a relação de Maia com o Planalto azedou.
Procurado, Maia não quis comentar as reuniões.

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